Gripe

Gripe

 Atchim! “Justo hoje, com tantos compromissos, fui pegar resfriado! Mas não pensem que vou me entregar. Sou duro na queda...”

Ricardo é um típico businessman. Sempre ocupado, freqüentemente solicitado, não sabe o que são férias há anos. Agora é inverno, e, para o seu ramo de atividade, alta temporada de negociações.

Mas Ricardo não imagina que seu problema, em vez de resfriado passageiro, é gripe das fortes. Quando ele não tem de enfrentar o vento e a chuva fria, passa a maior parte do tempo no escritório, com ar confinado.

Sente-se muito mal. A garganta arde, a cabeça parece que vai explodir. Desce à farmácia e mede a temperatura: 38° C. Toma um antitérmico forte, melhora um pouco e volta à sua salinha aquecida. “Que diria meu patrão se eu deixasse de trabalhar por causa de um resfriado?” — diz consigo.

À noite a febre volta com vigor renovado: 39° C. Ricardo toma uma dose reforçada de antitérmico e dorme pesadamente. Acorda indisposto, com muita dor no corpo. Tosse sem parar. Mas mesmo assim, se veste, ajeita a gravata e voa para o escritório. Mais um dia de agenda cheia, sobrecarregado de negócios importantes. Consegue agüentar penosamente a rotina, fingindo sentir-se bem. Mas o mal-estar aumenta. A tosse persiste e a febre só passa com medicamentos. Lá pelo quinto dia, sente-se mal a ponto de não poder dar mais um passo. Dói tudo, a respiração é difícil e o pulmão parece a ponto de se romper. Levam-no ao médico que, depois de examiná-lo cuidadosamente, conclui sem muita dificuldade: “Pneumonia. E é séria. Trata-se de uma complicação de gripe. Você deveria ter-se cuidado melhor...”.

O caso de Ricardo realmente inspirava cuidados. Precisou ficar internado dez dias, e passar mais vinte em casa. Poderia ter perdido uns cinco ou seis dias se tivesse cuidado da gripe logo no começo, com repouso, alimentação e tratamento adequados, mas acabou tendo de perder um mês!

 

Gripe — diferente de resfriado

 

A gripe é uma infecção respiratória provocada por vírus, o influenza, e que ataca geralmente como surto. Muitos confundem gripe com resfriado, mas eles são diferentes por duas razões principais:

1. O vírus da gripe, o influenza, que apresenta três variantes básicos, é diferente do vírus do resfriado (os Rhinovirus).

2. A gripe é uma condição mais séria que um resfriado, podendo trazer maiores complicações.

 

Sintomas

 

Conforme o tipo de gripe (ou o tipo de vírus) e as condições do organismo, a gripe pode apresentar manifestações mais ou menos intensas, e mais ou menos duráveis. Costuma desenvolver sintomas como: irritação da garganta, dos olhos e das narinas, obstrução nasal, coriza, febre, tosse, espirros, dor no corpo, falta de apetite e sensação generalizada de fraqueza e mal-estar. A tosse geralmente é seca, repetida e curta.

Os sintomas mais fortes duram, em média, três ou quatro dias.

Os resfriados apresentam sintomas mais brandos, como corrimento e entupimento do nariz, espirros, mal-estar, dor de cabeça. São provocados por uma infinidade de vírus do grupo do Rhino­virus. Geralmente não há febre. Pode complicar-se em otites, sinusites e faringites.

 

Complicações

 

Quando a gripe não é devidamente tratada, podem haver complicações que vão da sinusite à pneumonia, como a do Ricardo da ilustração. Tudo vai depender da resistência do organismo atacado. Por isso, é importante manter repouso, evitar expor-se ao frio e ao vento e cuidar da alimentação.

A pneumonia pode ser causada pelo próprio Influenza (pneumonia primária), ou por microorganismos que, aproveitando-se do enfraquecimento produzido pela gripe, ou por não se ter tratado adequadamente a gripe, ocasio­nam a pneumonia secundária.

 

Como se pega a gripe

 

O vírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra com relativa facilidade. Basta alguém que tenha gripe espirrar ou tossir por perto. As gotículas de saliva disseminam inúmeros vírus. Conversar com alguém gripado ou permanecer em ambiente fechado onde haja portadores dessa doença pode ser suficiente para contraí-la.

Mas o fator crítico, que apõe a assinatura ao passaporte do vírus, são as condições de resistência do organismo. Pessoas cujas defesas se encontram, por algum motivo, enfraquecidas adoecem mais facilmente. Noites mal­dormidas, estresse e má alimentação podem determinar queda de resistência suficiente para dar ao vírus a oportunidade desejada.

No inverno, o risco de contágio é maior, por três motivos:

1. As pessoas permanecem por mais tempo em ambientes fechados, para se protegerem do frio.

2. Ocorre vasoconstrição dos vasos sangüíneos na mucosa respiratória, devido ao frio. Menos sangue circula, e menos anticorpos.

3. Para aquecer o ar que chega aos pulmões, a mucosa esponjosa do nariz se dilata para aumentar a área de contato com o ar. Mas isso faz aumentar sensivelmente as secreções, o que cria ambiente propício à multiplicação dos vírus.

Ambientes fechados, frios e secos, sob efeito de ar condicionado, criam condições favoráveis ao ataque do vírus e às suas complicações.

O fumo, o álcool, a má nutrição e a intercorrência de outras doenças que enfraquecem o corpo propiciam gripes sucessivas, com possibilidades aumentadas de complicação. Surge então a queixa de “uma gripe atrás da outra”.

O fumo destrói os cílios das vias respiratórias, dificultando, assim, a eliminação da sujeira. O vírus custa mais para ser eliminado.

O organismo infantil é imunitaria­mente mais frágil do que o do adulto. Por isso, as infecções podem manifestar-se com maior freqüência e intensidade. As crianças são, portanto, presas mais fáceis da gripe. Crianças pequenas que não mamam ao peito são mais fracas, e, segundo pesquisas, exibem três vezes mais chances de contrair pneumonia quando gripadas. Isso reforça o princípio de que o aleitamento materno é insubstituível.

 

Opinião dos estudiosos da vida natural

 

Os naturistas interpretam a gripe como alarme do organismo, chamando a atenção para a necessidade de desintoxicação ou de repouso. Contraímos gripe não só porque entramos casualmente em contato com o vírus, mas também quando nossa resistência cai por algum motivo, como resultado de estresse, noites mal dormidas, má digestão, erros na alimentação etc. É interessante observar que impropriedades dietéticas, como o uso de açúcar, fazem cair a resistência, e predispõem a gripes, resfriados e bronquites. A exposição demasiada ao frio ou ao calor (como passar várias horas “torrando no sol” da praia) também diminui a resistência, e favorece a instalação do vírus gripal.

 

O vírus da gripe

 

Influenza é como foi batizado o vírus da gripe. Acreditava-se que a sazona­lidade da doença devia-se à influenza delle stelle (expressão italiana), ou influência das estrelas, donde possivelmente veio esse nome.

Há três tipos básicos de vírus influenza, que produzem três diferentes respostas imunitárias do organismo (os especialistas chamam-nos de tipos antigênicos): A, B e C. Mas sabe-se que essas três variantes vêm sofrendo sucessivas mutações.

O tipo A é o causador mais comum de gripes, espalhando-se epidemicamente pelo mundo. Aloja-se no homem e em animais, como aves e suínos. O B ocorre só no homem, mas não costuma provocar gripes fortes. O C é o mais incomum, e o menos virulento. Raramente produz sintomas.

As variações antigênicas descobertas em laboratório pertencem ao grupo A, e se formam pela combinação de duas proteínas presentes no vírus: a hemaglutinina e a neuraminidase. Conforme a combinação dessas proteínas, muda o vírus, seu potencial de agres­sividade, e as características da gripe, que pode manifestar-se com maior ou menor intensidade, provocando um perfil de sintomas variado.

Os grandes surtos de gripe, chamados pandemias, que envolveram muitos países, foram ocasionados por vírus com combinações de proteínas contra as quais o sistema imunitário humano ainda não apresentava defesa imediata. Por isso, assumiram proporções às vezes trágicas, como a gripe espanhola, no início do século XX.

 

Conselhos gerais

 

O primeiro conselho é procurar um médico para confirmação de diagnóstico, e ir para a cama. Infelizmente, preocupadas com as conseqüências de faltarem ao emprego “por causa de uma gripezinha”, as pessoas vão doentes ao trabalho e espalham o vírus, exatamente como aconteceu com o Ricardo da nossa ilustração. Dificilmente alguém procura o médico por causa de uma gripe, e acha que não é preciso mudar seu ritmo de atividades. Expõe-se ao frio, alimenta-se mal, esforça-se demais, e o organismo se enfraquece. É então que surgem as complicações, das quais a pneumonia é a principal.

 

Xaropes

 

O mel com própolis e extrato de eucalipto (ou tintura de guaco) e sumo de agrião é muito bom para combater a tosse e fortalecer o sistema respiratório. Compostos à base de mel e agrião também são indicados. Há, hoje, muitas dessas preparações à venda no mercado. Podem-se tomar de três a seis colheres, das de sopa, ao dia.

 

Xarope tradicional contra a gripe e os problemas pulmonares

 

Um excelente xarope caseiro contra a gripe e os problemas pulmonares se prepara da seguinte maneira: Bater no liquidificador um punhado de agrião com um pouco de água, de modo a obter um copo pequeno de suco de agrião concentrado. Coar. Misturar bem com um copo pequeno de mel puro. À parte, ferver por uns dez minutos uma colher, das de sopa, de folhas de euca­lipto e guaco picadas para um copo de água. Filtrar. Misturar tudo, e deixar ferver novamente por mais dez minutos. Acrescentar, finalmente, ao xarope, cem gotas de solução de própolis a 30%. Colocar num vidro e tampar. Tomar de quatro a oito colheres, das de chá, ao dia.

 

Alho

 

O alho é, de longa data, preconizado no tratamento da gripe. A tradição do uso desse bulbo contra doenças data do tempo dos antigos egípcios. No século XII, acreditava-se que o alho seria capaz de proteger contra a fúria da Peste Negra. Na era colonial, amarravam-se dentes de alho aos pés dos pacientes de varíola.

Contra a gripe, pode-se tomar a água de alho com mel, limão e própolis. Prepara-se da seguinte maneira: Mace­ram-se três dentes de alho em 70ml de água. Coa-se. Misturam-se uma colhe­rinha de mel, um limão e sessenta gotas de própolis. Tomar uma colher, das de chá, dessa solução a cada hora, ou pingar algumas gotas diretamente na garganta, ao longo de todo o dia. Fazer novo preparado a cada dia.

 

Outras sugestões naturais

 

Pedilúvio quente (ver página 106) e inalação de eucalipto com cebola e própolis, pelo menos uma vez ao dia, são muito bons para aliviar uma eventual sinusite e promover a expectoração. Se não houver congestão na cabeça nem catarro, podem-se dispensar esses procedimentos.

O uso de argila na barriga (aplicação abdominal) é muito indicado quando há digestão difícil, ou febre interna devido à má alimentação. Aplica-se argila duas horas ao dia (agasalhar bem os pés). No capítulo 13 (página 114), há explicações mais pormenorizadas sobre como aplicar a argila).

 

 

Os naturopatas explicam que uma gripe pode começar com a má digestão.

Alimentação

Durante a fase aguda, a alimentação deve ser de modo a não sobrecarregar a digestão. Muito suco de fruta é recomendado. Pode-se tomar suco de laranja às 7h, mais suco às 10h, e almoçar ao meio-dia ou às 13h, batata bem cozida (ou abóbora) com saladas (salada de broto de feijão, rabanete, cenoura ralada etc.) e legumes cozidos ao vapor (beterraba, couve-flor, chuchu, abobrinha etc.). Jantar frutas com torradas.

Durante a febre, a dieta deve resumir-se a sucos de frutas (quantidade liberal), de três em três horas. Ao começar a convalescença, convém reforçar a alimentação com 3g de geléia real e uns seis comprimidos de lêvedo de cerveja ao dia.

Muitos erram, pensando que é preciso “reforçar” a alimentação durante a gripe com alimentos “ricos”. É verdade que pessoas desnutridas precisarão de cuidados especiais. Mas não adianta forçar o organismo debilitado a receber sobrecarga de comida “pesada”, que ele é incapaz de digerir. A situação só se complicará. Via de regra, na fase aguda adotam-se repouso e alimentação leve, como a que orientamos. Depois da fase aguda, aí, sim, usam-se os complementos nutricionais necessários.

Quando o intestino está preso, sugere-se, com a devida permissão médica, uma lavagem intestinal. Para “limpar” o aparelho digestivo (onde, por causa de má alimentação e fermentações, na opinião dos terapeutas naturistas, muitas vezes se origina a queda da imunidade, que leva à gripe), tomar um pouco de água com duas colheres, das de chá, de carvão vegetal ativado em pó, duas ou três vezes ao dia.

 

Plantas

A equinácea, que reforça o sistema de defesa, é a planta eleita contra gripes e resfriados, produzindo ótimos resultados. É fácil de achar no mer­­­­cado de produtos naturais. Essa planta é especialmente recomendada nas “gripes que não passam”. Na bula, há informações sobre uso tradicio­nal.­­­­­­

Alecrim-de-jardim, carqueja, folha tenra de mangueira, eucalipto, sálvia, sabugueiro. Usar uma destas plantas, ou misturadas, de duas a três xícaras ao dia, na forma de cozimento (uma colher, das de sopa, das plantas pica­­­­­­­­-das para 300 ml de água). Tomar o chá sempre com própolis: quinze gotas a 30% por xícara.

A combinação da hortelã com o sabugueiro é também ótima contra a gripe. Tomar de duas a três xícaras de 150ml ao dia. Pode-se, nos casos mais severos, em que há muita tosse, acrescentar guaco (também conhecido como eupatório) ou mil-folhas a essa mistura. Uma colher, das de sopa das plantas picadas para 500ml de água. Ferver e filtrar.

Uma das plantas usadas há mais tempo, por diferentes culturas, contra a gripe é a gatária (erva-dos-gatos). Uma colher, das de sopa, para duas xícaras de água, em infusão (derramar água fervente sobre a planta). Dividir essa quantidade ao longo do dia, em pequenas porções. Pode-se misturar com hortelã.

Mil-em-rama, planta de múltiplas utilidades, usada desde o tempo dos antigos gregos, é também muito útil no combate a gripes, febres e resfriados. Tomar de duas a três xícaras por dia do chá de toda a planta, na forma de cozimento (uma colher das de sopa da planta picada para meio litro de água). Pingar algumas gotas de própolis.

 

Você sabia?

Carqueja (Bacharis triptera)

É tradicionalmente indi­cada para combater má digestão e diabetes melito.

Modo de usar: ferver em 400ml de água 1 colher, das de sopa, da planta picada. Deixar esfriar. Filtrar e tomar 1 ou 2 xícaras ao dia.

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.