Gastrite

Gastrite

 Que é gastrite? Quais as causas? Como se manifesta?

 

Gastrite é a inflamação das paredes do estômago, provocada por alterações do ambiente gástrico que agridem e irritam­ a mucosa, tornando-a vermelha e in­­­cha­da. Nos casos mais graves chega a ocor­­­­rer sangramento. Os sintomas principais são: dor, azia, digestão difícil e demo­­­­­­rada.­

Há dois tipos básicos de gastrite: aguda e crônica. A forma aguda é desen­cadeada por causas recentes, como uso de medicamentos (certos analgésicos), abuso alimentar, intoxicação (como acidentes por ingestão de soda cáustica, ácidos etc.), crise emocio­nal. A forma crônica é provocada por acúmulo de fatores, como má alimentação, personalidade ansiosa, uso e abuso de medicamentos, alcoolismo, tabagismo etc.

Estudiosos da nutrição culpam certas deficiências nutricionais, que favorecem o aparecimento de gastrite e outras afecções digestivas.

Sem descartar a possível causa hereditária, podemos afirmar que a gastrite é principalmente o tributo que o homem moderno paga ao seu modo de vida.

Na gastrite pode haver duas situações opostas: excesso ou falta de ácido­ do estômago (ácido clorídrico). Quando há excesso de ácido (hiper­clori­­­­dria), surgem sintomas como azia e dor, e há possibilidade de úlceras gastrin­testinais. No caso oposto, a hipocloridria (pouco ácido; gastrite alcalina), a digestão é lenta e difícil.­

 

Sintomas da gastrite aguda e crônica

 

A forma aguda de gastrite produz sensação de “empanzinamento”, dor no estômago, perda de apetite, arrotos, azia, náuseas, dor de cabeça e até ligeira febre. Podem ocorrer vômitos, que trazem alívio, mas deixam o paciente debilitado.

A gastrite crônica é doença de ­dia­gnóstico difícil, pois exibe sintomas parecidos com os de outras doenças. Há períodos de agudização, em que se repetem os sintomas já descritos. Há também períodos em que o paciente se apresenta praticamente sem sintomas. A digestão costuma ser lenta e difícil.

 

Tratamento

 

Na Medicina ortodoxa o tratamento é feito à base de antiácidos, dieta láctea, dieta fracionada, bloqueadores de células secretoras de ácido, cicatrizantes, antidistônicos etc. Embora alguns desses procedimentos tragam alívio, estão longe de cortar o mal pela raiz. A dieta à base de leite, por exemplo, vem sendo questionada. O consumo exclusivo de laticínios e alimentos cozidos é condenado pela Medicina natural como causa de gastrite, pois não requer mastigação suficiente.

O tratamento natural visa à restauração da estabilidade química e nervosa do organismo. Acreditam os natu­ropatas que a acidose orgânica seja uma das causas químicas da gastrite. Essa reação é produzida por dieta des­vita­lizada, refinada, à base de produtos industrializados, açúcar, carnes, massas, molhos, condimentos, guloseimas, fritu­ras etc. Adotando-se dieta saudável, com correção de hábitos como a mastigação e diminuição da quantidade, alcançam-se resultados muito favoráveis.

 

Como tratar a hipocloridria (diminuição do suco gástrico)

 

O extrato de condu­rango é usado pouco antes das refeições com um pouquinho de água, no caso de hipocloridria. Usa-se também, com bons resultados, o vinagre de maçã. Uma colher, das de café, em um pouco de água antes das refeições. Usar enzimas naturais logo depois das refeições.

 

Outros procedimentos

 

Compressas abdominais diárias de argila, ou compressas sobre o estômago com toalha molhada em água fria, que deve ser coberta com toalha seca. Deixar aquecer e trocar várias vezes. Estas aplicações ajudam a desinflamar a mucosa gástrica. Banhos frios de tronco, duas ou três vezes por semana, pelo menos. Ver capítulo 12.

No caso de hemorragia gástrica, recomenda-se, como providência preliminar, engolir pedacinhos de gelo como se fossem pílulas.

 

Doença típica da civilização, a gastrite é conseqüência direta do estilo de vida moderno. Corrigindo-se o hábito alimentar, está dado o maior passo rumo à cura.

 

Alimentação

Tratamento pela dieta

O principal segredo da alimentação curativa da gastrite é só usar alimentos de boa qualidade, não comer demais e mastigar completamente: que a comida se misture tão bem com a saliva a ponto de se transformar em massa líquida e homogênea na boca. Dizem os orientais: “beber os sólidos e comer os líquidos”. Para tanto, não se devem misturar, na boca, sólidos com líquidos. No desjejum e jantar, por exemplo, podem-se usar frutas como mamão, laranja-lima-da-pérsia, ou maçã, exclusivamente, ou uma mistura de frutas com flocos de cereais e sementes de girassol. A recomendação tradicional de tomar muito leite, sopas, mingaus e papas, longe de solucionar o problema, tende a cronificá-lo, embora por pouco tempo possa trazer algum alívio (há casos em que esse tipo de dieta não traz qualquer alívio). É melhor evitar molhos, temperos, frituras, café, açúcar, guloseimas, refrigerantes, cerveja, carnes, alimentos gordurosos, pimenta etc. Na fase aguda, frutas ácidas, como limão, abacaxi e laranja ácida, devem ser evitadas. Desde que se mastigue muito bem, a maioria dos alimentos crus não fará mal, ao contrário do que se ensina.

Idosos que têm dificuldade de mastigar pela falta de dentes se sentiriam bem adaptando-se a uma boa prótese e readquirindo o hábito da mastigação. Na pior das hipóteses, devem acostumar-se a ensalivar muito bem os alimentos, mantendo-os por mais tempo na boca, comendo devagar.

Exemplo de cardápio para a gastrite: Comer o suficiente, saindo da mesa com “um pouco de fome”. Mastigar muito bem.

Desjejum — Mamão com maçã picados. Chupar lima-da-pérsia, ou laranja-lima, sem usar outro alimento, é ótimo recurso dietético contra a gastrite.

Lanche – Água-de-coco ou uma maçã, se houver fome.

Almoço — Salada de cenoura crua, ralada, com brotos. Abóbora (ou batata) cozida. Legumes cozidos ao vapor. Arroz integral cozido em lugar da batata. Três ou quatro amêndoas. Tofu. Depois de algum tempo, pode-se usar um ovo cozido bem duro.

Lanche – Água-de-coco ou uma maçã, se houver fome.

Jantar — Pode-se repetir o almoço, variando os legumes, ou repetir o desjejum. Podem-se usar maçã com mamão e algumas torradas.

Nunca use batata velha, verde ou brotada. Não use tomate nem berinjela. Todo cuidado é pouco com temperos e molhos. Recomenda-se evitá-los. Não comer grande quantidade, nem com pressa, nem antes de deitar. Comer com calma, sentado, saboreando cada bocado. Algumas vezes por semana pode-se usar no desjejum banana-maçã com iogurte natural. Mastigar bem.

 

Plantas

Os manuais de fitoterapia recomendam contra a gastrite as seguintes plantas: cavalinha, tanchagem, cálamo-aromático, espinheira-santa, camomila, alfavaca e damiana. Misturar duas ou três destas plantas, preparar um cozimento, e variar cada semana. Tomar aos goles, duas ou três xícaras ao dia. Uma colher, das de sopa, para 300ml de água. O segredo de obter bom resultado no uso de chás é também ensalivá-los antes de engolir.

O mesocarpo de babaçu, disponível em boas casas de produtos naturais, é excelente antiácido natural. Misturar uma colherinha, das de café, em um pouco de água e tomar após as refeições.

Para ajudar na recuperação da mucosa gástrica recomendam-se, duas ou três vezes ao dia, 50ml de suco fresco de couve, tomado vagarosamente. O suco de repolho e o de babosa têm efeito similar. Tomar uma colher, das de sopa, de sumo de babosa duas ou três vezes ao dia (bater a planta no liquidificador, sem os espinhos, com um pouco de água e coar).

 

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.