Enxaqueca

Enxaqueca

 Causas e manifestações

 

Acredita-se que a enxaqueca ataque principalmente pessoas que sejam geneticamente predispostas. Ocorre a partir da puberdade e é mais comum em mulheres. As crises são às vezes prenunciadas por distúrbios visuais, como “estrelinhas”, “clarões”, “riscos”, sensibilidade à luz etc. (chamados “aura”). Atinge, em alguns casos, só um­­­ dos lados da cabeça (razão por que alguns especialistas a chamam de hemicrania), e vem na forma de dor latejante ou pulsátil, que pode incomodar os adultos por um período de 3 a 72 horas. Não raro há vômitos, intolerância à luz e ao barulho. Acredita-se que a enxaqueca seja resultado de espasmo seguido de dilatação dos ramos cranianos da artéria carótida externa.

Costuma aparecer na adolescência ou início da idade madura, para sumir na menopausa. A teoria da hereditarie­dade baseia-se no fato de que, em certas famílias, a enxaqueca é particularmente comum.

As causas, ainda não bem conhecidas, são, possivelmente: estresse emocional, falta ou excesso de sono, falta ou excesso de comida (jejum prolongado), reação alérgica, cigarro, pílula (anti­concepcional), desequilíbrios hormonais, sensibilidade aumentada à luz, a certos alimentos, a odores ou ao barulho. Ultimamente vêm sendo incluídas entre as prováveis causas, disritmias cerebrais e doenças epileptiformes.

 

Fatores que disparam as crises

 

A crise de enxaqueca pode começar, em pessoas sensíveis, depois de uma crise emocional, esforço físico ou mental exagerado, concentração visual (muito tempo de trabalho ao computador ou assistindo TV). Certos cheiros ou perfumes fortes, produtos químicos, fumaça e poluentes representam, para muitas pessoas, o começo do tormento. Para muitas mulheres, o começo da crise pode coincidir com a vinda da menstruação ou o período da evolução. Certos alimentos são a causa deflagradora para muitos pacientes. Mudanças de clima são às vezes relatadas como deflagradoras de enxaqueca.

Tipos de personalidade e enxaqueca

 

Estudiosos do comportamento humano afirmam que o tipo de personali­da­de influi na manifestação da enxaqueca. Pessoas exigentes, perfec­cio­­nis­­­tas, obcecadas pelo trabalho, que não se permitem descanso sem que antes tenham cumprido certas tarefas pré-fixadas (na maioria das vezes, por elas mesmas), são particularmente sujeitas. Depois que terminam a tarefa ou escapam à tensão, saem bruscamente de uma situação de intensa concentração para outra de grande alívio ou relaxamento. É então que vem a enxaqueca. Os músculos da cabeça e do pescoço, quando tensos, “apertam” as artérias. Quando a pessoa relaxa subitamente, os músculos, antes tensos, se expandem, dilatando os vasos sangüíneos, e desencadeando a enxaqueca. À medida que o coração bate, aumenta o volume de sangue no local, e a dilatação vai se intensificando, com tremenda dor pulsátil. O melhor que se pode recomendar nesses casos é que se termine uma tarefa aos poucos (trabalhar um pouco, e relaxar um pouco), nunca abruptamente. Se você é vítima desse tipo de enxaqueca, nunca se deve permitir chegar ao extremo do cansaço. Deve intercalar o trabalho com pausa para descanso e respiração profunda.

 

Alimentos relacionados a crises

 

Os alimentos que, segundo relato dos pacientes, mais freqüente­mente desencadeiam crises são: chocolate, laticí­nios, conservas, bolos, doces, con­feitos, café, molhos, salgadinhos, fri­­­turas, embutidos e lanches do tipo “fast-food”. Muitas vezes, as crises fortes podem ser relacionadas com a chegada da menstruação.

Tratamento convencional

 

Muitos médicos ensinam que a enxaqueca não tem cura, e o máximo que se pode fazer é amenizar os sintomas. Os alopatas, portanto, tratam sintomaticamente a enxaqueca, com anti­infla­matórios e analgésicos, e outros medicamentos específicos, usados para “prevenir” crises. Mas tanto os médicos como os pacientes sabem que esses procedimentos não são capazes de curar, e que, depois de certo tempo, podem tornar-se quase completamente inócuos, não produzindo efeito digno de nota.

Os naturopatas discordam desse ponto de vista, e, diante de vários casos de melhora e remissão da enxaqueca, pode-se dizer que estão de posse da razão. Mas é preciso proceder à mudança de hábitos. Esta tem sido nossa experiência. A enxaqueca parece resultado inevitável, para pessoas predispostas, de certo estilo de vida e alimentação.

 

Correção de maus hábitos

 

Os estudiosos do naturismo compreendem que a enxaqueca é um dos muitos “alarmes” que o organismo dispara contra abusos sofridos. Erros alimentares crônicos, fumo, álcool,­ pílula e descontrole emocional são algumas das agressões que podem levar pessoas­ sensíveis ao tormento da enxaqueca.

O tratamento constitui-se de desin­to­xicação somada a um período de repouso natural. Depois, corrigindo-se os maus hábitos deflagradores das crises, e adotando-se uma série de hábitos saudáveis, como a prática moderada e regular de exercícios físicos, os próprios pacientes dão o feliz testemunho de uma notável melhora.

Outros procedimentos

 

As aplicações diárias de argila no abdome, por duas horas, são muito indicadas (ver capítulo 13).

Em muitos casos, a aplicação de rodelas de batatas cruas na testa, nas têmporas e nas solas dos pés, amarradas com pano, proporciona alívio.

Massagem na sola dos pés (reflexo­logia), apertando firmemente os pontos mais doloridos por uns cinco minutos cada um, é procedimento consideravelmente útil no alívio das crises.

 

 

A enxaqueca, doença manifesta em freqüentes e insuportáveis dores de cabeça que desaparecem por um período mais ou menos longo, mas sempre voltam atormentadoras, indica, para os natu­ristas, que o corpo precisa de desintoxicação, e a mente, de repouso e equilíbrio.

 

Alimentação

É preciso adotar dieta natural, rica em fibras, hortaliças, frutas e cereais integrais, em que se evitem carnes vermelhas, chocolate, laticínios, açúcar, café, refrigerantes, fast-food, guloseimas, glutamato monossódico, condimentos, molhos etc. Freqüentemente constata-se que a enxaqueca nada mais é que congestionamento metabólico que começa nos excessos ou desequilíbrios alimentares.

Como encarar crises?

Se você pressente que a crise se aproxima (por causa de formigamentos, clarões etc. — os pródromos), não se entregue. Continue realizando tarefas leves, respire profundamente e procure esquecer o mal-estar. A atitude de imediato e completo relaxamento só apressará a instalação da dor pulsátil, como explicamos no tópico anterior. Relaxe aos poucos.

O Dr. Lewis J. Silvers, estudioso do assunto, sugere tomar, ao perceber-se que a crise vem, um comprimido de 50mg de niacina (vitamina B5). Essa vitamina faz com que o sangue se espalhe pelo corpo, em vez de se concentrar na cabeça, de modo que, muitas vezes, o paciente fica vermelho como um pimentão. Se não ocorrer essa vermelhidão, tomar outro comprimido dentro de dez minutos. Converse com seu médico a respeito.

No arsenal da homeopatia, o Iris 6X é uma das indicações mais inofensivas e eficientes no combate às crises.

Hidroterapia contra as crises

Para aliviar as crises: Nalguns casos há alívio significativo com aplicações de gelo nas partes laterais do pescoço e na nuca ao mesmo tempo, por uns cinco minutos.

Massagem com fricção de bucha natural, embebida em água fria, em todo o corpo, após uma sessão de exercícios respiratórios.

Jatos frios fortes sobre o abdome durante dez minutos. Em seguida, jatos frios sobre os pés, por dois minutos.

Escalda-pés desviam o fluxo sangüíneo para os membros inferiores e ajudam a acalmar crises.

Para prevenir crises: um banho de tronco ao dia (ver capítulo 12). Preferir banhos frios ou tépidos, após caminhadas ou exercícios moderados (não muito extenuantes). Evitar banhos muito quentes.

 

Programa de dieta para desintoxicar (aplicável à média das pessoas)

Plantas

Dois ou três dias por semana, durante um mês:

Desjejum ou jantar: escolher apenas uma das frutas: laranja, mamão, maçã, melão, melancia, uva. Não misturar as frutas. Se houver fome, fazer lanche de maçãs entre as refeições. Importante: a hiperglicemia pode desencadear crises, de modo que o paciente deve ter consigo algumas frutas e ingeri-las antes mesmo que se manifeste a fome. Não adotar esta dieta em manhãs de atividade desgastante, pois faltará energia.

Almoço: saladas cruas (como salada de broto de feijão, ou salada de folhosos), seguidas de arroz integral com um pouco de lentilha, tofu e legumes cozidos (vagem, brócolis, cenoura etc.). Comer pouco e mastigar muito. Entre as refeições, havendo fome, ingerir fruta.

Pessoas debilitadas, magras ou com doenças agudas não devem seguir este programa. Gestantes, nutrizes e crianças também não podem segui-lo. Observar orientação de um profissional de saúde simpático a dietas naturais.

Jantar: Frutas com flocos de cereais, sementes de girassol e um pouco de coalhada magra.

É fundamental comer devagar, mastigando bem. Expulsar, durante as refeições, preocupações da mente. Não comer conversando, falando de negócios, assistindo TV ou lendo. Ouvir música suave, relaxante.

Para desintoxicar e relaxar o sistema nervoso, sugerem-se chás de cavalinha, tanchagem, chapéu-de-couro e dente-de-leão, com um pouquinho de alfazema, duas a três xícaras ao dia. Ferver em 500ml de água uma colher, das de café, de alfazema e duas colheres, das de sopa, da mistura das demais ervas. Coar. Pode-se usar essa associação de ervas por uns quatro dias, e, por dois dias, tomar quatro xícaras diárias de água com limão e vinte gotas de água de melissa (à venda em farmácias). Chá de erva-cidreira-verdadeira ou folha de laranjeira, tomado aos goles (uma ou duas xícaras ao dia) também é indicado. Uma colher, das de sopa, para 300ml de água. Ferver e coar.

Para prevenir e tratar crises de enxaqueca os herboristas concordam em que poucas plantas se igualam ao tanaceto (também chamado atanásia e feverfew). No mercado de produtos naturais há tanaceto em cápsulas. A dose geralmente indicada é de 200mg ou uma cápsula ao dia. Contra-indica-se a gestantes e nutrizes. O tratamento deve ser prolongado por semanas, até meses.


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.