Coração, Doenças do

Coração, Doenças do

 A rota do sangue no sistema circulatório

 

O coração é uma potente bomba muscular que impulsiona o sangue para todo o corpo. Através da grande circulação, nosso fluido vital sai com alta pressão do ventrículo esquerdo, via artéria aorta, transportando oxigênio e nutrientes às mais remotas partes do corpo. Volta pelo sistema venoso, trazendo gás carbônico, e entra, através da veia cava, pelo átrio direito do coração. Começa então a pequena circulação: o ventrículo direito impulsiona pela artéria pulmonar o sangue venoso que, no pulmão, se converte em arterial num processo denominado hema­tose. O regresso ao coração é feito pelas veias pulmonares, que transportam o sangue rico em oxigênio ao átrio esquerdo. Recomeça, então, do ventrí­culo esquerdo, a grande circulação. Todo esse fantástico circuito acontece em fração de segundos. Não há engenho que se compare a esse em precisão, complexidade e eficiência.

 

Doenças do coração

 

Os estudiosos das terapias naturais vêem o coração como uma “campainha de alarme” do organismo. Distúrbios no coração podem refletir agressões crônicas à economia.

Entre as muitas disfunções que acometem o músculo cardíaco encontram-se­­­­­ falhas de ritmo, insuficiências, inflamações (miocardite, endocardite e peri­­­­cardite, geralmente associadas a infec­­­ções bacterianas sistêmicas ou a proces­­sos reumáticos) e distúrbios isquê­micos (diminuição do fluxo de sangue), hoje muito comuns, relacionados à ate­rosclerose. Aqui falaremos das doenças isquêmicas do coração, hoje principal causa de morte em muitos países.

 

A doença que mais mata

 

A maioria das mulheres entrevistadas respondeu que o câncer é a principal causa de morte entre elas, numa sondagem Gallup realizada em 1995 nos Estados Unidos. Engano. Só para se­­­­ ter uma pálida idéia, para cada caso de câncer de mama, há 11 mulheres que morrem de doenças cardiovas­culares. Entre os homens, o coração é também campeão absoluto de mortalidade.

Portanto, as doenças mais mortíferas da atualidade estão, relacionadas ao aparelho circulatório. São as doenças cardiovasculares provocadas pela aterosclerose.

Com o passar do tempo, os vasos sangüíneos que nutrem o coração vão ficando “entupidos” por depósitos de partículas gordurosas e outros elementos sólidos, como cálcio e coágulos. Este “entupimento” diminui a quantidade de oxigênio que o coração deveria receber. Qualquer esforço que exija trabalho extra do músculo cardíaco pode ocasionar dor forte, que se concentra no peito, e às vezes se irradia pelo braço esquerdo e mandíbula.

Excesso de gordura na alimentação, especialmente a gordura animal (que contém colesterol e gordura saturada), excesso de sal, ingestão exagerada de açúcares e massas, fumo, obesidade, hipertensão arterial, estresse, diabetes, álcool e falta de exercícios físicos são alguns dos chamados “fatores de risco para as doenças ateros­cleróticas dos vasos”, pois se acham intimamente ligados à angina do peito, ao infarto do miocárdio, e a outros acidentes vasculares, como o “derrame” cerebral. A vida moderna, com sua inumerável soma de hábitos nocivos à saúde, provoca ou favorece o desenvolvimento dessa classe de doenças.

 

Colesterol — qual o nível ideal?

 

Outro aspecto digno de reflexão é a constatação de que muitas pessoas, apesar de exibirem “colesterol normal” nos exames, podem desenvolver pontos de entupimento gorduroso nas arté­rias. Por quê? O que se conven­cionou chamar de taxa normal para a média das pessoas pode não ser a taxa ideal para certos indivíduos. Outros metabólicos presentes no sangue, como a homocisteína, também aumentam o risco cardiovascular, além do colesterol. Para evitar a elevação de homocisteína no sangue, devem-se ingerir teores adequados de vitaminas B6, B12 e ácido fólico. Quem apresenta nível de coles­terol no sangue de 210mg pode ser considerado “normal” por muitos padrões de análise. Porém, daqui a alguns anos a Medicina poderá descobrir que o ideal situa-se, suponhamos, numa faixa sempre inferior a 180mg.

 

Colesterol “bom” e colesterol “mau”

 

O HDL-colesterol, ou o “bom colesterol”, deve situar-se acima de 35mg, enquanto o “mau”, ou LDL, deve manter-se abaixo de 130mg. A grosso modo, o HDL é um transportador de colesterol que ajuda o organismo a livrar-se dele por meios não prejudiciais. Já o LDL livra-se do colesterol depositando parte dele nas artérias. Para diminuir o “mau” e aumentar o “bom” a dupla dieta-exercício não tem rival. Quem é gordo precisa perder peso.

A diminuição do colesterol no sangue é fundamental para a redução do risco de acidentes cardiovasculares. O risco de ataque cardíaco pode diminuir de 2 a 3% para cada 1% de queda de colesterol circulante.

 

Os triglicerídios (ou triacilgliceróis)

 

Os triglicerídios, outro tipo de gordura encontrada no sangue, também oferecem perigo quando altos. Sua origem­ pode ser o consumo exagerado de açúcar e massas, em detrimento de lipí­­­dios saudáveis (muito carboidrato e pouca gordura insaturada). Devem manter-se sempre abaixo de 150mg. Pesquisas mostram que o risco cardiovas­cular é maior para as mulheres do que para os homens, quando a taxa de triglicerí­dios é elevada. Ingestão de álcool, diabetes e obesidade são três fatores que comumente se responsabilizam pelo aumento dessa fração gordurosa.

 

Como deve ser a alimentação?

 

Evitar carnes, particularmente as gordurosas. Evitar gorduras sólidas, como gordura de coco, manteiga, creme de leite e margarina. Todo cuidado é pouco com frituras, óleo demais, queijos gordurosos, ovos em excesso, particularmente a gema, onde está o colesterol (recomendam-se no máximo três ou quatro gemas de ovos semanais para uma pessoa normal), sal demais, massas, doces, maionese, sorvetes e guloseimas. Use abundantemente alimentos ricos em fibra, como cereais integrais, frutas e verduras frescas, além de óleos vegetais prensados a frio, como óleo de linhaça comestível ou óleo do caroço de uva (encontrado em boas casas de produtos naturais).

 

 

Importância dos exercícios físicos

 

Para fortalecer o coração, nada como exercícios físicos regulares, moderados. Contudo, portadores de doenças cardíacas devem observar orientação médica. O exercício mais indicado para o coração é, de longe, a caminhada. Enquanto caminha, respire profundamente. Pesquisas mostram que caminhar é até melhor que correr.

 

Terapia respiratória

 

A terapia respiratória, tão simples como negligenciada, ajuda a aumentar a vitalidade do organismo e fortalece o músculo cardíaco.

Você já observou como respira uma criança, um recém-nascido? É a “barriguinha” ou o tórax que se movimenta com a entrada e a saída do ar? Agora perceba como você respira, como respira um adulto. Que diferença lhe chamou a atenção?

O recém-nascido expande principalmente a “barriguinha” enquanto respira. O adulto, em geral, movimenta furtivamente o tórax. Os hábitos fisio­lógicos da criança dão-nos uma noção adequada do padrão genético e instintivo das relações entre o organismo humano e o meio. A artificialização de nosso sistema de vida provocou inúmeras mudanças nesse padrão, o que muitas vezes se demonstra cruelmente nocivo à saúde. Precisamos reaprender a respirar corretamente se quisermos salvar o organismo dos processos degenerativos que o assediam, como o câncer.

Está ao seu alcance reaprender o modo fisiológico de respirar. Sua capacidade de raciocínio, além do humor e da saúde, só terão a lucrar. Essa medida pró-saúde é de inestimável valor, e não custa um tostão. Veja como fazer a terapia respiratória:

Sente-se, algumas vezes por dia, numa cadeira confortável. Com as costas retas, respire profunda e compassadamente. A respiração correta ou diafragmática requer a expansão do abdome, como vimos. Você sente algo como um balão inflável dentro da barriga. Esvazie a mente de preocupações.

Caminhe descansadamente por uma rua tranqüila e arborizada, ou, de preferência, num bosque, respirando corretamente.

A vantagem dessa terapia, a mais natural de todas, é que não existem contra-indicações. Pode ser aplicada praticamente em qualquer lugar (de preferência onde haja menos poluição do ar), em qualquer momento e em qualquer condição. Sempre faz bem. Este pode ser um dos pequenos cuidados que estão faltando para o maior êxito dos tratamentos naturais.

 

Cebola — preventiva do infarto

 

Sabe-se agora que a cebola é um excelente preventivo do infarto do miocárdio. Cientistas britânicos descobriram que a cebola tem capacidade de dissolver coágulos sangüíneos. Cien­tistas da Universidade de Newcastle pesquisaram uma nova terapia, à base de cebolas, utilizável no combate à trombose coronária. Experiências realizadas com 22 doentes comprovaram que sua capacidade natural anticoa­gulante aumentava ou decrescia em relação direta à quantidade de cebola por eles ingerida.

Sobre esse assunto transcrevemos, a seguir, um artigo publicado em “O Estado de São Paulo”:

“Uma alimentação rica em matérias­ gordurosas pode produzir, entre outros inconvenientes, a coagulação do sangue nos vasos. Este processo é sumamente perigoso quando ocorre nas artérias que nutrem o coração, ou seja, as coronárias, pois, ao interromper-se a passagem do sangue, o tecido car­díaco degenera, apresentando o quadro clínico do infarto: dor violenta no centro do tórax, irradiando-se para o braço esquerdo.

“A coagulação do sangue é devida à transformação irreversível do fibrinó­geno em fibrina. O fibrinógeno está dissolvido no sangue, enquanto que a fibrina se evidencia como trama reticular em que se precipitam os corpúsculos do sangue, formando o coágulo. O sangue se defende deste perigo com diversas substâncias — fibrinosina, heparina, antitrombina etc. — encarregadas de manter fluido o sangue.

“Na luta contra as enfermidades cardiovasculares e o infarto, os médicos tentam aumentar tais poderes defensivos do sangue, e sobretudo dos fibrinolíticos, destruidores da fibrina, que é a mãe dos coágulos.

“Os especialistas britânicos Agnon, Kendal, Dewar e Newwell estudaram se as cebolas, como parte integrante da dieta, conseguem diminuir o efeito das gorduras sobre a atividade fibrino­lítica. Experimentando com um grupo de pacientes de 19 a 20 anos, notaram que a atividade fibrinolítica do san­gue diminuía de 42,1 unidades a 35,1, três horas e meia depois de terem ingerido na refeição 98g de gorduras. Porém se a estes 98g de gorduras se acrescentam 60g de cebolas, observa-se que a atividade fibrinolítica aumenta até 62,3 unidades. As cebolas produzem um notável aumento da atividade fibrino­lítica do sangue. Portanto, deduz-se que as cebolas contêm uma substância resistente ao calor, capaz de prevenir os inconvenientes das gorduras e de aumentar a atividade fibrinolítica do sangue, o que é indicado contra os coágulos e o infarto.

“Daí que, tudo somado, convém que as cebolas apareçam com mais freqüência à nossa mesa. Segundo os dietistas, as melhores cebolas do mundo são as da Calábria, particularmente as da zona de Tropea. As estatísticas provam que as enfermidades cardiovasculares e o infarto são muito raros nesta região italiana. É possível que isto se deva às cebolas.”

Augusto, 60 anos, publicitário aposentado, mas que continuava trabalhando em seu próprio negócio, sentiu, certa manhã, logo antes de sair, um aperto tão forte no peito que não conseguia respirar fundo. “Não me posso permitir ficar doente” — disse consigo mesmo, procurando convencer-se de que não passava de mal passageiro. Mas a dor persistia e irradiava-se para o braço e o pescoço. “Um problema no coração não deve ser. Meu colesterol está controlado e não fumo” — pensou.

No dia seguinte, a dor ainda incomodava. Resolveu, então, procurar médico. Avaliações do funcionamento do coração mostraram entupimento quase total de um dos ramos da coronária. O médico explicou-lhe que havia risco iminente de infarto. Augusto teve de submeter-se a uma angioplastia. Através da artéria femoral, na virilha, foi introduzido um cateter cardíaco com um balão inflável na extremidade. Com auxílio de sofisticado equipamento computadorizado de monitoramento o cateter foi movido até o local do bloqueio, esmagando a massa gordurosa contra as paredes da artéria, desimpedindo a passagem.

As estatísticas mostram que os pacientes podem voltar a apresentar, dentro de poucos anos ou meses, novas placas gordurosas. Para prevenir a reincidência, é fundamental adotar alimentação religiosamente controlada, não fumar, praticar exercícios físicos orientados e submeter-se a check-ups periódicos.

São inúmeras as doenças do coração. Aqui falaremos mais especificamente das doenças isquêmicas, relacionadas à angina do peito e ao infarto do miocárdio.

 

“Semana de desintoxicação”*

* Estas sugestões dietéticas estão de acordo com a proposta de clínicas naturistas. A individualização da dieta poderá requerer orientação profissional.

 

Plantas

São tradicionalmente recomendados para distúrbios cardíacos: alecrim-de-jardim, bardana e hortelã. Duas a três xícaras diárias (a dose tradicional é duas colheres, das de sopa, da planta para meio litro de água: derramar água fervente sobre as plantas). Conforme o distúrbio cardiocirculatório, o paciente poderá não tolerar muito chá. Consultar um especialista para estabelecer a conduta adequada a seu caso.

O alecrim é de longa data receitado contra males do coração. Lemos, numa publicação de 1550 (antiga como a colonização das Américas!), o Lytel Herball, o seguinte a respeito dessa erva: “Coloque as flores num pano de linho, fervendo-as em água limpa; deixe esfriar e beba, pois ela é excelente contra todos os males do organismo.” Levy, estudioso das ervas, afirma que o alecrim é um tônico cardíaco de primeira ordem. Um dos poucos tônicos do coração que não é droga drástica.

Muitos problemas cardíacos estão intimamente relacionados à tensão nervosa. Nesse caso, a valeriana é muito útil. Trata-se de planta capaz de exercer poderoso efeito relaxante sobre o sistema nervoso parassimpático. Pode-se tomá-la juntamente com camomila, o infuso, só uma xícara ao dia. Tomar vários goles ao longo do dia. A dosagem é a seguinte: Uma xícara de água fervente sobre meia colher, das de chá, da raiz de valeriana pulverizada. Para a camomila, meia colher. Porém, há pacientes que não se sentem bem com o princípio ativo da valeriana, para os quais é mais indicada a camomila. Consultar um especialista.

Os naturistas recomendam como muito saudável, a cada dois meses, obsevar o programa de uma semana de desin­­­toxicação:

Em jejum, 100ml de suco de berinjela crua para quem tem tendência a colesterol alto.

Demais refeições: Frutas picadas com iogurte natural magro, aveia, olea­ginosas como amêndoas, e torradas integrais, no desjejum; saladas cruas com vegetais cozidos como brócolis, vagem e cenoura, arroz integral e lentilha no almoço e maçãs picadas com sementes de girassol no jantar. Nos intervalos, água-de-coco ou frutas, se houver fome.

Pelo menos dois dias, nesta semana: Só maçãs no desjejum, jantar e lanches.

Nos intervalos das refeições, água com limão, duas vezes ao dia.

No mês em que não fizer a “semana de desintoxicação”, proceder à cura de limão (diluir os limões em água):

 

 

 

 

Observação: Conforme o distúrbio cardiocirculatório o paciente poderá não tolerar uma dieta com muito líquido. Nesses casos, deve-se reduzir o uso de chás e sucos. Observar sempre orientação médica.

 

1º dia

1 limão

2º dia

2 limões

3º dia

3 limões

4º dia

4 limões

5º dia

5 limões

6º dia

4 limões

7º dia

3 limões

8º dia

2 limões

9º dia

1 limão

Plantas “fortificantes” do coração*

* As plantas aqui citadas são empregadas por clínicas naturistas ou medicinas tradicionais, e as doses são também tradicionais. Lembrete: Não suprimir a orientação médica.

 

As seguintes plantas, juntas, segundo os herboristas, estimulam o funcionamento do coração. São chamadas tônicas cardíacas:

crataegus (espinheiro), quatro partes;

calêndula, flores, duas partes;

botão-de-ouro (hidraste), raiz em pó, uma parte;

erva-mãe (Leonurus cardiaca), pó, duas partes;

pimenta-de-caiena, pó, uma parte;

lírio-do-vale (Convallaria majalis), folhas, duas partes.

Modo tradicional de preparo: Totalizam-se doze partes. Cada parte corresponde a meia colher, das de chá, para 250ml de água fervente, que deve ser derramada sobre as ervas. Tomar ao longo do dia, divididos em três pequenas doses.

Você sabia?

Azeitona (Olea euro­pea)

É tradicionalmente indicada para combater afonia, oti­te, inflamações da boca, etc.

Modo de usar: No caso de otite, indica-se fazer compressa quente com azeite na região do ouvido.

Sugestões naturais de frutas e hortaliças

Consumir regularmente o figo-da-índia, que contém o princípio ativo cactina, tônico para o coração.

Limão: proceder à cura de limão, como já explicada.

Maçã: comer maçã liberalmente. Comer purê de maçã com mel.

Azeitona: a gordura contida na azeitona, mono insaturada, é benéfica para o coração. Usar azeite de oliva em lugar de outros óleos. No Mediterrâneo, onde a dieta é rica em azeite de oliva prensado a frio, as doenças do coração são mais raras.

Geléia real: para fortalecer o coração, de 1 a 2g diários.

Mel: Tomar diariamente de uma a duas colheres, das de sopa, de mel ao deitar.

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.