Cabelo, doenças do

Cabelo, doenças do

Calvície

 

Um dos maiores inconvenientes estéticos masculinos é, sem dúvida, a calvície. É normal a perda de algumas centenas de fios ao dia, que logo são substituídos. Mas nos calvos as células responsáveis por produzir cabelos não funcionam. Os folículos capilares atrofiam. Não havendo reposição de fios numa determinada área, surge ali a calvície. Para entender melhor esse processo, leia os próximos tópicos.

 

O ciclo de crescimento do cabelo

 

O fio de cabelo é uma maravilha da engenharia natural. Formado de células mortas, alinhadas em uma fina coluna, e interligadas por uma proteína dura, a queratina, o cabelo é um fio notavelmente resistente. Abaixo da linha da pele encontra-se um canalzinho, o folículo capilar, onde está a raiz do cabelo. Durante determinado tempo as células-matrizes, localizadas no fim do canal, o bulbo capilar, produzem o material básico de construção do fio, que o faz crescer lenta e progressivamente. Logo abaixo dessa camada de células estão os melanócitos, que segregam o pigmento que colore o cabelo. O material constitutivo do fio varia de acordo com o programa genético, produzindo, assim, cabeleiras de diferentes características: loira, castanha, escura; lisa, crespa etc.

O cabelo cresce até determinado ponto, e esse crescimento acontece à medida que o bulbo capilar produz células e queratina. As células morrem, espremem-se e alinham-se no folículo, vindo ao exterior na forma de fio. Mas chega um momento em que o crescimento pára (repouso), e o cabelo fica preso pela raiz durante algumas semanas. Mas logo recomeça nova fase de crescimento. O fio velho cai, sendo imediatamente substituído por um novo. Isto quer dizer que a perda de um fio geralmente significa sua substituição por outro. Na calvície não ocorre essa substituição. Os folículos atrofiam e deixam de funcionar sob a ação da testosterona, hormônio sexual presente no homem, que age destrutivamente sobre os folículos em pessoas geneticamente predispostas. Não se sabe exatamente porque, mas as áreas do couro cabeludo mais sensíveis à ação da testosterona são a frontal, a parietal e a occipital, o que delimita os três locais em que mais freqüentemente se manifesta a calvície.

 

Outras causas de perda de cabelo

 

A calvície é um problema caracteristicamente masculino. É determinada por fatores genéticos, mas pode ser apressada ou agravada por uma soma de fatores, entre os quais:

1. Estresse emocional;

2. Má alimentação. Regimes dietéticos mal balanceados (por exemplo, dietas de emagrecimento não compensadas por complementos nutricio­nais);

3. Mal funcionamento do intestino;

4. Anemia;

5. Caspa;

6. Uso de certas drogas;

7. Doenças infecciosas;

8. Verminoses. Podem também estar por trás desse problema, pois comprometem o estado nutricional do organismo.

 

Micoses e alopecia ariata

 

As micoses do couro cabeludo, que geralmente formam crostas esbran­quiçadas e/ou avermelhadas, enruga­mento e produzem coceira, exigem tratamento dermatológico apropriado.

A alopecia ariata é uma queda circunscrita de cabelo geralmente associa­da ao estresse emocional. Surge uma ou várias áreas, arredondadas ou ovaladas, em que se perde rapidamente o cabelo. O couro cabeludo apre­senta uma ou inúmeras falhas. É comum que os pacientes fiquem bastante preocupados, até deprimidos, o que acaba agravando o mal. Pessoas suscetíveis podem apresentar esse problema depois de períodos de intenso sofrimento ou esgotamento mental. Felizmente, via de regra, o cabelo volta a nascer depois de algum tempo. A alopecia ariata pode manifestar-se até em crianças que apresentem distúrbios emocionais. É mais freqüente em crianças que atravessam crises familiares.

 

Perda de cabelo em mulheres

 

Os dez fatores citados anteriormente podem agir sobre as mulheres como causa de perda de cabelo. Muito freqüentemente a anemia, a má nutrição e o estresse se juntam para provocar rarefação do cabelo nas mulheres. Mas há outras causas específicas que gostaríamos de salientar:

1. Pílulas anticoncepcionais;

2. Mudanças nos hormônios depois do parto;

3. Regimes de emagrecimento.

A quimioterapia, usada no tratamento do câncer, é reconhecida como causa de abundante queda de cabelo.

 

Conselhos gerais

 

Adotar alimentação saudável, prati­car exercícios físicos e evitar preocupações são conselhos válidos para garantir o bom funcionamento do orga­­­nismo, também válidos para a prevenção dos males do cabelo. De modo especial, recomenda-se evitar o uso de água com muito cloro na lavagem do cabelo e o emprego de shampoos e tinturas fortes (é melhor usar produtos suaves, naturais). Escovar ou pentear o cabelo com força pode causar pequenos traumas nos folículos e causar queda de cabelo. O mesmo se dá como conseqüência do uso de penteados, frisos, perucas, prendedores e grampos que apertem ou forcem demasiadamente os fios. Chapéus e bonés, quando usados sempre, podem, segundo opinião de alguns, comprometer o bom arejamento e a circulação do couro cabeludo.

 

Tratamentos naturais contra a queda de cabelo

 

Os naturistas interpretam a queda de cabelo como resultado da soma de fatores de agressão. Não se subestima a tendência herdada, mas se dá muita ênfase aos problemas digestivos, ao estresse e à má nutrição. O tratamento interno se baseia em desintoxicação não muito prolongada, com vistas à “limpeza” intestinal e do sangue, seguida de suporte nutricional de vitaminas e minerais, corretamente ministrado. O tratamento externo se fundamenta em massagens para melhorar a circulação no couro cabeludo e no uso de plantas, como a babosa.

Suplementos nutricionais

 

O suplemento nutricional pode ser introduzido na alimentação já a partir do sétimo dia:

18 comprimidos de lêvedo de cerveja ao dia (seis comprimidos em cada refeição). A levedura de cerveja é usada, de longa data, para fortalecer o cabelo.

Geléia real pura: 2 a 4g diários.

Clorela: 9 a 12 comprimidos diários, 250mg.

 

O cabelo parece cada dia mais rarefeito. Na escova, tufos de fios. Por mais que se esmere no penteado, as partes calvas ficam cada vez mais à mostra.

A calvície é, sem dúvida, a afecção capilar que ordinariamente mais preocupa as pessoas, particularmente os homens.

Há, entretanto, inúmeros outros distúrbios capilares, como a caspa, que é um tipo de dermatite seborréica (ver caspa), e a seborréia. As micoses do couro cabeludo e os distúrbios sistêmicos que provocam alterações no couro cabeludo, como a psoríase, são abordados em outros capítulos (ver psoríase e micose).

O embranquecimento do cabelo não é, propriamente, doença, mas resultado do envelhecimento natural, ou capricho genético. É claro que, quando o envelhecimento é intensificado pelo estilo de vida­­­ e tipo de personalidade, a mudança no modo de vida e na alimentação poderá desacelerá-lo. Pessoas hereditariamente predispostas podem apresentar mais precocemente o embranquecimento do cabelo. Há casos de adultos jovens, com cerca de 30 anos, com grande parte da cabeleira branca.

Aqui falaremos principalmente da calvície.

Alimentação

Dieta terapêutica natural

A alimentação irregular, com fast-food, refrigerantes, guloseimas e outras “tranqueiras”, representa agressão incalculável ao organismo. Isso, somado à deficiência crônica de certos minerais e vitaminas na alimentação, pode precipitar a queda de cabelo, particularmente em pessoas predispostas. É imperioso adotar dieta saudável, com frutas, hortaliças, nozes, cereais integrais, ovos e laticínios, usados dentro de um programa balanceado do ponto de vista da qualidade, quantidade e horários das refeições. Primeiro, é preciso fazer uma desintoxicação, como se explica adiante. Na dieta normal recomenda-se, de modo particular, o uso de germe de trigo, amêndoas e cereais integrais.

No começo da desintoxicação a queda de cabelo se pode acentuar um pouco, até como resultado da mudança nos padrões alimentares costumeiros. Depois, referem-se casos de progressiva melhora, particularmente a partir do momento em que figuram os suplementos nutricionais.

Passar de cinco a dez dias com a seguinte dieta:

Usar em jejum, uma hora antes da primeira refeição, bebida alcalinizante (ver modo de preparar à página 138).

Desjejum: Uma só qualidade de fruta, como figo, mamão, kiwi, fruta-de-conde, melão, pêssego e ameixa. Não sendo disponíveis essas frutas, pode-se chupar laranja ou tangerina.

Almoço: Começar o almoço com suco de cenoura misturado com broto de alfafa e couve; salada crua (preferir brotos). Em seguida, usar abóbora cozida (ou batatinha, se preferir) ou arroz integral com legumes cozidos ao vapor (podem-se variar os legumes cada dia: couve-flor, brócolis, vagem, quiabo, cenoura, abobrinha, beterraba etc.); grão-de-bico e tofu. Podem-se usar algumas torradas de pão integral. No fim da refeição, 6 ou 7 amêndoas.

Jantar: Frutas, como figo, maçã, mamão ou pêra picados com amêndoas ou nozes e um pouco de coalhada. Quem preferir pode usar papa de aveia com mel, nozes e frutas. Modo de preparar: Colocar aveia em água para cozinhar com mel, nozes e as frutas picadas (pode-se usar pêssego, maçã, banana etc.). Usar, juntamente, algumas bolachas de arroz integral ou torradas. Começar essa refeição sempre com uma fruta crua, como mamão ou maçã. Quem tem prisão de ventre deve preferir o mamão.

Passar mais dez dias com regime semelhante, com a diferença de que no desjejum se pode acrescentar granola sem açúcar às frutas, um pouco de coalhada e algumas amêndoas. No almoço se pode acrescentar alguma leguminosa, como feijão azuki (nunca usar arroz ou feijão juntamente com batata). Três ou quatro vezes por semana, ovo caipira cozido, se o colesterol não estiver elevado.

Durante a desintoxicação é bom proceder a um programa de limpeza intestinal com clisteres, com o objetivo de restaurar a flora (ver modo de fazer às páginas 84 e 85). Depois desse período de desintoxicação e lavagem intestinal, adotar dieta naturista normal, em que se substitua o desjejum por coalhada (um copo), por uns vinte dias.

Para orientação sobre dieta naturista normal, ver capí­tulos 4 e 5.

Plantas e outras sugestões naturais

Aplicar diariamente babosa no couro cabeludo. Não é preciso lavá-lo em seguida. Podem-se usar shampoos à base de jaborandi ou jojoba. Para combater a caspa e a oleosidade, nada melhor que aplicar ao couro cabeludo o suco de limão, três vezes por semana, além, é claro, de proceder à limpeza intestinal, conforme orientado no tópico da desintoxicação pela dieta (ver também caspa).

Internamente, para ajudar na desintoxicação, indicam-se tradicionalmente os chás de alfavaca, chapéu-de-couro, dente-de-leão e tanchagem, três vezes ao dia. Duas colheres, das de sopa, das plantas picadas para meio litro de água. Ferver e filtrar.

Externamente, pode-se usar uma das seguintes plantas, para fortalecer e limpar o couro cabeludo:

Agrião: Preparar o suco de 100g de folhas frescas. Massagear o couro cabeludo com esse líquido.

Capuchinha: Preparar um chá forte com folhas e flores e aplicar ao couro cabeludo.

Alfavaca: Massagear ou lavar o couro cabeludo com chá forte de alfavaca.

Bardana: Massagear ou lavar o couro cabeludo com chá forte de bardana.

Mil-em-rama: Lavar o cabelo com o chá concentrado de toda a planta. Tomar, também, duas xícaras por dia. Uma colher, das de sopa, da planta picada para 300ml de água. Ferver e filtrar.

Tomilho: Massagear ou lavar o couro cabeludo com chá forte de tomilho.

Friccionar o couro cabeludo com suco de agrião, à noite. Lavar de manhã.

Quem tem cabelo seco pode friccionar o couro cabeludo com abacate e lavar dentro de uma ou duas horas.

Friccionar o couro cabeludo à noite com suco de cebola. Lavar de manhã, ou friccioná-lo com esse suco uma ou duas horas antes de lavar.

Banhos, clisteres e massagens

Os banhos, particularmente os frios, oferecem extraordinária ajuda na restauração da energia vital. Não havendo contra-indicação médica, recomendam-se duchas frias e/ou banhos de cachoeira, depois de aquecimento prévio ou exercícios. Pelo menos um banho vital diário é recomendado (ver página 105).

Massagear o couro cabeludo com a ponta dos dedos, todos os dias, melhora, na opinião de alguns estudiosos do assunto, a circulação local e fortalece o cabelo.

A limpeza intestinal com clisteres, com o objetivo de restaurar a flora, é muito indicada (ver modo de fazer à página 84). Depois de algumas semanas de desintoxicação e lavagem intestinal, adotar dieta em que se substitua o desjejum por coalhada (um copo), durante uns vinte dias, como já explicamos no tópico da dietoterapia.

Geoterapia

A aplicação abdominal de argila é, segundo os estudiosos da vida natural como Acharan e Dextreit, relaxante e normalizadora da função intestinal. Melhorando-se a assimilação intestinal, ocorre simultânea melhora das condições nutricionais do organismo. Pelo menos uma aplicação geoterápica de duas horas ao dia, durante um mês, é indicada. (Ver como aplicar à página 114).

 

Outros tratamentos

 

De manhã deve-se caminhar em água fria ou sobre a grama, se não houver distúrbios ciáticos. Ainda de manhã, devem-se fazer exercícios respiratórios (respiração profunda e lenta), e massagem no couro cabeludo.

 

Você sabia?

Alfavaca (Ocimum basilicum)

É tradicionalmente indi­cada para combater aftas, infecções urinárias, bicos dos seios rachados e dor de garganta.

Modo de usar: Derramar água fervente sobre 2 colheres, das de sopa, das folhas picadas. Deixar esfriar. Filtrar e tomar 2 xícaras ao dia. Aplicar compressas frias do chá forte sobre o bico do seio rachado.


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.