Artrite

Artrite

Sandra, enfermeira-padrão com mais de uma década de experiência, não se enganou no seu auto-diagnóstico quando, subitamente, começou a sentir dores articulares generalizadas: devia ser artrite. Com a administração de analgésicos, uma melhora temporária fê-la esquecer-se do assunto. Mas as dores voltaram. Pior: as articulações começaram a inchar muito e ficar quentes. O joelho, os cotovelos e os dedos doíam. Procurou um reumatologista, que pediu a verificação sorológica de fatores reumáticos. Deu positivo.

No começo tentaram-se antiinflamatórios diversos, que só davam relativo alívio das dores. As articulações deformavam progressivamente. Com o passar dos anos, Sandra já não podia andar normalmente. Levar à colher a boca tornou-se manobra complicada. O agravamento do quadro culminou em aposentadoria por invalidez. A ex-enfermeira, antes muito ativa, começou a deprimir-se. A esta altura usava doses elevadas de corticosteróides para controlar a inflamação das juntas. Certa vez, ao esbarrar o braço na quina da mesa, quebrou o osso. Seu médico limitou-se a explicar que “cortisona, usada durante muitos anos, enfraquece os ossos”.

Mas o episódio da fratura do braço deixou-a perplexa. Decidiu-se por nova busca. Começou a questionar a validade do tratamento convencional, considerando suas limitações no caso da artrite reumatóide, e passou a procurar por alternativas. Tomou conhecimento de um médico da linha “dietética” com quem se entrevistou. Numa longa consulta ele estudou detidamente o caso, formulando-lhe dieta saudável que começava com regime de sucos. A prescrição incluía complementos de cálcio e vitaminas C e D.

É difícil descrever o prazer que a doente sentiu ao notar, dentro de algum tempo, que as inflamações nas juntas melhoravam. Tornou-se mais fácil controlar as dores com analgésicos menos agressivos. Logo, Sandra podia mexer-se e locomover-se com mais facilidade. Numa etapa seguinte começou a fazer exercícios na água. Em questão de alguns meses pôde dedicar-se a algumas atividades, perdendo o complexo de invalidez e superando a depressão. Encontrou nova motivação para viver. Mas nunca pôde compreender por que recomendações tão simples e inofensivas, que tanto alívio lhe proporcionaram, não fossem mais amplamente divulgadas. Foi só depois de 15 anos de sofrimento que lhe chegou ao conhecimento a terapia nutricional, ironicamente chamada “alternativa”.

Esperança para os sofredores de artrite

 

A artrite crônica é considerada incurável. Diante de prognóstico tão desalentador, muitas pessoas se resignam ao tratamento com drogas sintomáticas, de efeitos fortes, como os corticosteróides. A experiência de médi­cos e outros profissionais de saúde simpáticos a terapias sem drogas, ou com o mínimo de drogas, através do mundo, mostra, entretanto, que há outras possi­bilidades. Há vários relatos de pacientes, desanimados com os resultados dos tratamentos convencionais, esperançosos com os meios “alter­nativos”.

O caso que acabamos de relatar ilustra a história verídica de muitos sofredores de artrite, que tiveram a felicidade de buscar e encontrar alternativas adequadas para o seu caso. Em clínicas através do mundo, registram-se animadores resultados na aplicação da terapia nutricional para artrite. Lamentamos, como Sandra, o preconceito da comunidade científica e a falta de patrocínio para pesquisas sobre terapia nutricional.

Em nossa clínica atestamos também o valor da nutrição. Dentro de algumas semanas, com dieta adequada, o paciente de artrite reumatóide apresenta, geralmente, expressiva melhora.

 

Que é artrite? Como se manifesta?

 

Artrite é inflamação de uma junta (articulação), porém pode ocorrer inflamação de várias juntas (poliartrite). O principal sintoma é a dor, que ocorre quando se faz algum movimento, ou mes­mo quando em repouso. Pode haver inchação e vermelhidão. Quando há agente infeccioso, pode haver febre. Mas na artrite reumatóide é possível haver febre sem agente infeccioso.

 

Causas

 

As doenças do grupo do reumatismo (são inúmeras) ainda não estão bem explicadas quanto à sua causa, afirmam os experts. Vários são os fatores que podem concorrer para a instalação da artrite: vão desde alterações no metabolismo até predisposição genética, passando por agentes infecciosos e ataques auto-imunes.

Os estudiosos da Medicina natural acreditam que o estilo de vida do homem moderno favorece o aparecimento deste distúrbio, em suas variadas mani­festações. Por isso, um dos lugares-comuns no tratamento é a indicação de dieta frugal e saudável.

 

O vinagre de maçã e a artrite

 

Citam-se casos de pacientes que vêm se sentindo bem com o uso metódico de vinagre de maçã. A explicação para o bom resultado é que muitos doentes de artrite apresentam também problemas na assimilação e metabolismo do cálcio, e o vinagre de maçã ajuda a normalizar o processo. Como? Na eventual falta de ácido clorídrico no estômago, o vinagre de maçã supriria eficientemente o déficit. Tomar, juntamente com as refeições, uns 100ml de água com duas colherinhas de vinagre de maçã e uma colherinha de mel puro.

 

Tratamentos

 

Seguir os mesmos conselhos indicados em Artrite reumatóide.

 

Como se desenvolve?

 

Desenvolve-se aos poucos, ao longo de anos. As articulações sofrem agressão do próprio sistema de defesa do corpo, o sistema imunitário. Surgem lesões graves que alteram a mobilidade e deformam as juntas.

Por que o corpo se “auto-agride” dessa maneira? Ainda não se sabe ao certo. Os estudiosos do naturismo médico crêem que as doenças dessa categoria, chamadas “auto-imunes”, são desencadeadas e alimentadas pela soma do fator genético ao estilo de vida em muitos aspectos agressivo à saúde, o que resulta em profunda desorganização do funcionamento do corpo.

 

Quando e em quem aparece a artrite reumatóide?

 

A artrite reumatóide surge em qualquer fase da vida. Na maioria das vezes ataca na idade adulta, entre a terceira e sétima décadas de vida, mas principalmente na quarta década. As mulheres são afetadas cerca de três vezes mais que os homens, diferença que desaparece nas pessoas idosas. O clima parece não influenciar.

Há defensores da influência da hereditariedade. Quando há casos na família, principalmente em parentes de primeiro grau, o risco parece maior.

 

Como acontece a lesão?

 

A cartilagem articular é destruída pelo aparecimento de uma membrana anormal, o pannus. Numa segunda etapa o osso sofre progressiva degradação. A articulação perde toda mobilidade quando superfícies ósseas expostas se ligam (anquilose). As enzimas liberadas pelas células brancas, responsáveis pela fagocitose (digerem corpos estranhos), destroem os tecidos carti­laginoso e ósseo. O processo inflamatório enfraquece a cápsula articular e os ligamentos de reforço. Pode ocorrer comprometimento de músculos e tendões, que se atrofiam. Freqüente­mente se formam nódulos, onde se acumulam fragmentos de tecidos mortos e células inflamatórias. Esses nódulos (nódulos reumatóides) são encontrados em áreas de maior pressão, como cotovelo e bacia. Podem aparecer na parte de trás dos dedos, presos aos tendões. Surgem até dentro do corpo, nos pulmões, pleura e coração.

 

Sintomas

 

A artrite reumatóide costuma surgir insidiosamente. Pode começar com sintomas vagos, persistentes, como cansaço, fraqueza, rigidez articular e dores fracas nos músculos e pequenas articulações das mãos, pés, punhos e tornozelos. No começo a doença pode atacar várias articulações ao mesmo tempo, especialmente as das mãos e pés. Mas há casos em que afeta uma ou algumas articulações, como a do joelho. Daí vai migrando simetricamente para outras juntas, deixando a primeira articulação doente cada vez pior. Em alguns pa­cientes essa “migração” não obedece a um padrão simétrico. Há casos em que a doença começa com artrite aguda: dores e edema em várias articulações, e febre. A evolução é difícil de prever. Alguns pacientes apresentam melhora espontânea, enquanto em outros a doença progride até assumir forma altamente consumptiva e incapacitante, confinando-os à cama.

As articulações apresentam-se inchadas, quentes e muito sensíveis. As mãos, frias e úmidas. Na doença de longa duração as manchas escuras sob a pele (equimoses) podem aparecer, principalmente em pacientes que usam corticóides. Podem surgir, com o tempo, nódulos reumatóides, mais freqüentes nos cotovelos. Geralmente não doem, mas às vezes se rompem e drenam cronicamente. Há casos, felizmente raros, em que aparecem nódulos no olho.

Complicações

 

Felizmente, a adoção de hábitos corretos, o tratamento adequado e o acompanhamento médico previnem a maioria das complicações.

Conforme a gravidade do problema e o local afetado podem surgir diferentes complicações, resultantes de compressão de estruturas. Por exemplo, uma artrite nas articulações crico-aritenóides pode causar rouquidão e perigosa obstrução das vias respirató­rias. A subluxação da articulação atlanto-axial pode comprimir a medula espinhal, ocasionando sua laceração e morte súbita.

Nos punhos, pode haver tenossino­vite, com compressão do nervo mediano e instalação da síndrome do túnel carpiano.

A vasculite reumatóide é uma complicação digna de nota. Pode ocasionar úlceras na região inferior da perna e gangrena nos dedos.

Podem ocorrer vasculites acompanhadas de necrose, neuropatia periférica e outros comprometimentos graves, como a destruição de vasos da parede intestinal, do coração e do encéfalo. Observa-se freqüentemente aumento dos gânglios (linfadenopatia generalizada).

Os nódulos reumatóides, como vimos, podem surgir em áreas nobres, trazendo sérios problemas nos olhos, pulmões, pleura e coração.

Apoio psíquico para o doente

 

O equilíbrio emocional vale ouro no autocontrole da dor. O paciente deve ser ajudado a manter o ânimo. Pesquisas revelam que a atitude mental afeta as perspectivas da doença. Recomendam-se duas coisas fundamentais:

1. Relaxar. Viver tenso e ansioso entrava os músculos, aumenta as dores e complica o quadro. Ajudam a relaxar medicamentos fitoterápicos à base de maracujá, camomila e mulun­gu. Mel com pólen, água de melissa (30 gotas em um pouquinho de água 4 vezes ao dia), exercícios respiratórios e banhos de imersão quentes também são indicados. Sugerem-se duas ou três colherinhas de mel com pólen ao dia.

2. Não se apressar. Nos dias em que se sentem melhores, os artríticos tentam, às vezes, compensar os atrasos, trabalhando exaustivamente. Mas isso só aumenta o cansaço. Deve-se programar um pouco de tarefa para cada dia, havendo ou não dor. Não se pode chegar ao extremo de superestimar as dores a ponto de parar totalmente. O outro extremo é subestimar a dor, e agir demais.

 

A regra geral para as doenças reumáticas, segundo o princípio da dietoterapia alternativa, é evitar alimentos formadores de resíduos ácidos, como carnes, frituras e açúcar. Alimentos muito ricos em proteína devem ser consumidos em menor quantidade, particularmente na artrite gotosa (em que o ácido úrico aumenta no sangue; ver ácido úrico). Diminuir o consumo de grãos secos, como feijões, soja, lentilha, nozes etc. Também diminuir o consumo de cereais. Adotar dieta à base de frutas e hortaliças frescas, usando menor quantidade dos demais alimentos. Os naturistas recomendam dieta predominantemente crudista. Frutas, como amora, cereja e morango, são particularmente úteis. A cereja azeda é estrela de primeira grandeza na dietoterapia alternativa das artrites. O iogurte natural em pequena quantidade é saudável, mas em alguns casos de resposta alérgica à proteína do leite terá de ser evitado. Nunca usar pão quente ou fresco, principalmente na artrite gotosa. Evitar alimentos crescidos com fermento: bolos e tortas. Evitar produtos ricos em gordura, que parecem piorar o quadro. Abolir salmouras, conservas, frituras, maionese, carnes gordas etc. Diminuir o consumo de produtos industrializados em geral. Substituir os óleos refinados por azeite de caroço de uva ou azeite de oliva extra-virgem.

Pesquisas sugerem que alimentos da família da erva-moura podem fazer mal para o paciente artrítico. Evitar batata, tomate, berinjela e pimentas. Também devem ser evitados laticínios como queijo, manteiga e creme.

 

Vitaminas e minerais que ajudam

 

No caso da artrite reumatóide recomenda-se aumentar a ingestão de vitamina C. Especialmente quem usa ou já usou grande quantidade de aspirina deve suplementar sua dieta com vitamina C. Entre as frutas ricas nessa vitamina, temos o kiwi, a acerola e os cítricos. Podem-se fazer refeições exclusivas dessas frutas e tomar água com limão várias vezes ao dia.­

O uso de cálcio associado ao magnésio e à vitamina D revela-se útil em muitos casos. Na fragilidade óssea (osteopenia) é particularmente benéfico. Sugere-se o uso de dolomita. Quem usa corticóides sofre enfraquecimento dos ossos com o tempo.

 

Descubra se você é alérgico a algum alimento

 

Existe a possibilidade de o seu organismo reagir intensamente a substâncias de algum alimento, talvez daquele que você gosta. Isso poderia provocar dores ou complicar o quadro da artrite reumatóide. Como saber quando isto está acontecendo? Faça uma experiência. Suponhamos que você coma muito queijo e sofra de artrite. Remova, por uns vinte ou trinta dias, o queijo da dieta, e observe os resultados. Se houver melhora dos sintomas, é possível que seu organismo seja sensível à caseína, proteína do queijo, ou outra substância contida nele.

Faça este teste com qualquer outro alimento suspeito, como batata, tomate etc. Numa fase seguinte, devolva o mesmo alimento à dieta, tratando-se de produto em princípio saudável, como fruta, hortaliça ou cereal, e observe se os sintomas pioram. No caso específico do queijo, entretanto, é recomendável evitá-lo. Para maiores informações, ver alergia.

Outros procedimentos

 

Um remédio caseiro usado desde longa data contra doenças reumáticas é o alho, e seu efeito benéfico se deve provavelmente ao fortalecimento do sistema imunitário. Modo de usar: Um ou dois dentes de alho, esmagados com mel, à noite. Quem não tolera o alho ao natural pode servir-se das cápsulas de alho.

 

Tratamentos com água e argila

 

São também tradicionalmente indicados como auxiliares no tratamento a aplicação abdominal de argila, diária, por duas horas, e o banho de tronco morno. A hidromas­sagem de baixo impacto e o banho de imersão em ervas ajudam a relaxar, sendo, portanto, indicados contra as dores. Dores locais poderão ser tratadas com cataplasmas de argila, que se renovam de hora em hora.

Exercícios em meio líquido são muito benéficos (hidroginástica). Observar, para isso, orientação de um especialista.


Programa Saúde Total

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