Nefrose ou Síndrome Nefrótica

Nefrose ou Síndrome Nefrótica

 Por que o filtro renal falha?

 

É como se o filtro renal estivesse furado, deixando de “segurar” as tão necessárias proteínas. Lá vão elas urina abaixo. A causa anatômica é perceptível ao microscópio eletrônico, que mostra alterações na estrutura da parede dos pequenos capilares enovelados do glomérulo.

A questão que há muito intriga os nefrologistas é a seguinte: Que fatores poderiam lesar os capilares de um glomérulo a ponto de torná-los inefi­cientes? A pesquisa médica mostrou que são inúmeros esses fatores. Poderíamos destacar:

1. Distúrbios do sistema imunitário, que acarretariam auto-agressões imunes no sistema glomerular. O lúpus erite­ma­toso e determinadas reações alérgicas pode­­­riam estar envolvidos.

2. Lesões tóxicas. Certas drogas (como as que contêm mercúrio e ouro orgânicos; heroína, penicilamina, probe­necida, captotril, tridiona, mesantoína, per­clorato, antivenenos, antitoxinas, meios de contraste) poderiam favorecer o aparecimento de lesões.

3. Distúrbios bioquímicos e metabólicos, como os verificados no diabetes melito.

4. Doenças vasculares. Alguns pesquisadores acreditam que a trombose da veia renal poderia precipitar a nefrose. Mas isso é controvertido, pois pesquisas mais recentes sugerem que a trombose no rim é resultado das alterações verificadas na nefrose.

5. Doenças dos próprios rins, como glomerulonefrites agudas e crônicas, e amiloidoses, que podem evoluir para nefroses.

6. A relação da nefrose com certos vírus, como o da herpes-zoster e o da hepatite B, foi sugerida.

8. Doenças diversas, como câncer, sífilis secundária, lepra, malária, esquis­tossomose, filaríase, vasculite, dermato­mio­site e artrite reumatóide, também foram associadas a maior risco de nefrose.

9. Hereditariedade. Casos na família sugerem maior risco.

A síndrome nefrótica é, portanto, conseqüência de uma série de alterações patológicas capazes de lesar os glomérulos.

A perda de proteínas faz com que o organismo apele desesperadamente para mecanismos de compensação, com a finalidade de intensificar a reabsorção pelos túbulos, e evitar a formação de urina espoliadora. Por isso, verifica-se ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, acompanhada pelo aumento de produção do hormônio antidiurético e pela estimu­lação do sistema nervoso simpático. Ocorre, então, retenção renal de água e­­­ sódio, resultando em edema persistente.

O quadro poderá ter sua gravidade aumentada se houver simultaneamente doença cardíaca ou doença vascular periférica.

Às vezes, a falta de albumina no sangue (hipoalbuminemia) ocasiona diminuição intensa do volume plasmá­tico, pressão baixa, síncope e choque. A insuficiência renal aguda é rara.

Ainda não se sabe exatamente o motivo, mas na nefrose também ocorre aumento das gorduras no sangue. A causa provavelmente seja uma síntese hepática aumentada de lipoproteínas. Isso faz com que as gorduras circulantes (como o colesterol) aumentem. O fenômeno é chamado de hiperlipidemia.

 

Conseqüências metabólicas da síndrome nefrótica

 

Outras proteínas, além da albumina, podem ser perdidas, o que acarreta inúmeros problemas: a perda da proteína fixadora do colecalciferol pode provocar deficiência de vitamina D, hipo­calcemia e doenças nos ossos. A perda da proteína fixadora de tiroxina pode acarretar disfunções na tiróide. A eliminação urinária da proteína transferrina (que transporta ferro) provoca anemia que não responde nem ao tratamento com ferro. Outras carências, como a de zinco e cobre, são notadas. A perda de certos fatores anticoagulantes, como a antitrombina III, pode favorecer o desenvolvimento de trombos e tromboses em diferentes lugares (trazendo graves complicações). Perdem-se também fatores de defesa, à base de proteínas, como certas imuno­globulinas. Isso diminui a capacidade de­­ defesa do corpo. Como se vê, o des­­perdício de proteínas traz conseqüên­cias­­­­ sérias.

Para entender melhor esse assunto, preparamos um resumo sobre a função dos néfrons.

 

Função dos néfrons

 

Néfron, ou nefro, é a unidade funcio­nal do rim. Há mais de um milhão de néfrons em cada rim humano. Cada néfron é composto do glomérulo e dos túbulos renais. O glomérulo está dentro de uma cápsula, chamada cápsula de Bowman, e é um novelo de capilares arteriais donde saem substâncias do sangue que devem ser filtradas. O líquido contendo o material filtrado é absorvido pela cápsula de Bowman e penetra no sistema de túbulos, os quais, no começo muito delgados, convergem para ductos cada vez maiores, até que todo o líquido filtrado, a urina, escoa através do bacinete, que se afunila para formar o ureter. Os ureteres desembocam na bexiga, de onde sai a uretra, que conduz a urina para o exterior. Os túbulos desempenham importante papel nos néfrons, pois reabsorvem boa parte do líquido filtrado pelos glomé­rulos. Essa reabsorção obedece a padrões de concentração de solutos no sangue, e é mediada por hormônios.

A cada minuto, passa pelos rins cerca de 1/5 do sangue para ser filtrado. Isso quer dizer que em cinco minutos todo o sangue do corpo passa pelo sistema de depuração renal. A cada 24 horas, os rins filtram 1.700 litros de sangue, o que resulta em 170 a 180 litros de líquido “absorvido” do sangue pela “esponja” dos glomérulos. Mas a maior parte desse líquido, misturado com inúmeras substâncias, é claro, não poderia se perder sem grande risco para a vida. Os túbulos, então, encarregam-se de reaproveitar tudo o que for possível, devolvendo ao sangue a maior parte dos fluidos provenientes da filtração glomerular. “Joga fora”, como urina, uma parcela mínima de líquido, que varia de um litro a um litro e meio por dia.

 

Síndrome nefrótica lipóide 

Comum em crianças, tem um prognóstico melhor que a forma que acabamos de estudar, pois apresenta alterações mínimas na função glomerular. A causa é desconhecida. Não é nenhuma das retrocitadas. Pode ocorrer melhora espontânea ou recaídas inesperadas. Alguns pesquisadores associam essa forma mais benigna de nefrose a processos alérgicos e infecções do sistema respiratório superior.  

Nefrose (ou síndrome nefrótica) é um conjunto de sintomas que aparecem como resultado de lesões na parte funcional dos rins, isto é, nos néfrons. A principal característica dessa doença é que o filtro do rim fica defeituoso a ponto de deixar passar grandes moléculas, como as proteínas, que vão parar na urina (proteinúria). Trata-se de verdadeiro desperdício, pois o organismo não pode perder proteína dessa maneira. A albumina é a principal proteína perdida, de modo que o fenômeno é também chamado albuminúria.

A perda anormal de albumina pela urina traz conseqüências imediatas, características da síndrome nefrótica. As proteínas têm a capacidade de reter água no sangue, e sua perda faz com que água “fuja” do sangue para o tecido próximo, intersticial, instalando-se os edemas (inchaços líquidos).

 

Tratamento

O tratamento da síndrome nefrótica comum não é simples. Como é um distúrbio que envolve inúmeras alterações, torna indispensável o acompanhamento de um especialista. Descompensações e perdas precisam ser adequadamente supridas, sob pena de conseqüências graves, até fatais.

A prevenção de distúrbios renais, de modo geral, requer um estilo de vida saudável, com ingestão abundante de água e consumo liberal de frutas. Uma dieta com carne, sal e laticínios em excesso, somada à vida sedentária e ao fumo, favorecerá o aparecimento de problemas não só nos rins, mas no organismo todo.

Depois de instalada uma doença renal, a dieta deverá ser cuidadosamente monitorada, pois, em situações específicas, mesmo o consumo de líquidos precisará ser limitado (como na insuficiência renal), ao passo que em outros quadros será interessante tomar água em abundância. Por isso, enfatizamos o acompanhamento de um especialista (nefrologista).

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.