Coqueluche

Coqueluche

 Acessos violentos de tosse, rosto vermelho, olhos lacrimejantes. É a coqueluche atacando. Doença infantil geralmente benigna, mas extremamente incômoda e ruidosa, chega a sufocar.

 

Que é coqueluche? Qual a causa?

 

Coqueluche ou “tosse comprida” é doença típica da infância, infecciosa e contagiosa, causada pelo Haemophilus pertussi, uma bactéria. Para descobrir com certeza se o problema é coqueluche, coloca-se uma placa de vidro a 10cm da boca do doente, durante um acesso de tosse, e examina-se o material em laboratório.

A bactéria, que se instala na árvore brônquica, produz, ao morrer, uma forte toxina que irrita as mucosas e as terminações nervosas que as suprem, desencadeando acessos de tosse.

 

Como evolui? Quais os sintomas?

 

Primeiro, o bacilo fica incubado e durante uma ou duas semanas costuma não dar qualquer sinal de sua presença. Habitualmente, tudo começa como gripe: febre baixa, corrimento nasal, olhos vermelhos. A tosse não é tão forte, mas vem com catarro (fase catarral ou produtiva). Os dias passam e a “gripe” não sara, apesar de todos os cuidados maternos. A tosse vai ficando seca, intensa. À noite, ninguém dorme direito: a criança acorda várias vezes para tossir. Finalmente, depois de uns dez ou quinze dias desde o primeiro sintoma, vem a “tosse comprida”, ou seja, ataques repetidos de tosse. Demora semanas para desaparecer.

Pela maneira peculiar como se manifesta, o povo a chama de “tosse de cachorro”. A criança pressente o acesso e pára, angustiada. Durante o acesso, inspira rápido na tentativa de reaver o fôlego. Cansa-se com o enorme esforço. A laringe se estreita e produz som agudo e estridente. Falta oxigênio no corpo, e a pele fica arroxeada. Os lábios ficam roxos, e os olhos, saltados, revelam extrema aflição. Pode haver até sangue no escarro. Quando deitada, a criança senta-se na cama e aperta, angustiada, um brinquedo ou uma coberta. Às vezes, surgem pequenas hemorragias no branco do olho.

O período de tosse convulsiva dura várias semanas, ao longo das quais os sintomas vão cedendo aos poucos. Em crianças nervosas, as manifestações podem ser mais intensas e a cura mais demorada.

Há formas benignas de coqueluche, em que os acessos são mais fracos. Às vezes há mais espirros.

Em recém-nascidos, o risco de complicação é grande, pois não é comum aparecer ataques de tosse, o que dificulta o diagnóstico. Podem surgir complicações bronco-pulmonares. A vacina tríplice é dada contra difteria, tétano e também coqueluche a partir do primeiro ou segundo mês de vida, em três doses, com intervalo de um mês.

Viagem de avião ajuda?

 

Um passeio de avião costuma ajudar a resolver o problema. As crianças recebem esse tratamento com euforia. O bacilo causador da coqueluche não suporta o ar rarefeito de altitudes elevadas. Observar orientação médica em cada caso.

Banhos e compressas

 

O pedilúvio quente ajuda a descon­gestionar o pulmão. Ver como fazer à página 105. Envolver o tórax com compressa quente e úmida, sem apertar. Trocar sempre que esfriar. Aplicar durante uma hora.

Conselhos

A criança portadora de coqueluche deve ser, tanto quanto possível, isolada, dado o risco de contágio e surto. Não deve ir à escola.

Como a doença começa com sintomas de gripe, deve-se suspeitar de coqueluche se ela, apresentando aqueles sintomas, esteve em contato com um doente. Quanto mais cedo a doença for identificada, melhor.

 

Tratamento

Alimentação

Crianças muito pequenas, em especial, requerem assistência médica, dado o grande risco de complicações. O tratamento convencional, administrado por um médico, é geralmente feito com gamaglobulina ou globulina hiperi­mune que, contendo anticorpos, supre as defesas do organismo.

A recuperação da estabilidade funcional e imunológica do organismo deve ser o objetivo principal do tratamento. Os estudiosos das terapias naturais interpretam as infecções como a “invasão” do terreno por agentes microbianos que se aproveitam de uma “brecha” na defesa. Se o organismo funciona bem e a resistência é boa, os microorganismos são sempre rechaçados, ou mantidos em estado passivo de coexistência harmônica. Portanto, a doença é um fenômeno originado no próprio corpo e não fora dele. Não se pode culpar os micróbios — que podem até conviver pacificamente com o corpo —, mas condições anômalas, desencadeadas por desequilíbrio sutil e profundo, que é resultado do modo de vida extremamente agressivo à saúde do homem moderno. Os vilões, nesse caso, são bem conhecidos: alimentação de péssima qualidade, ambiente confinado, estresse etc.

Na fase aguda, é recomendável dar chance ao corpo para se livrar de toxinas que atrapalhem seu esforço de defesa. Por isso, devem ser abolidos alimentos de alta densidade calórica e nutricionalmente pobres, como guloseimas, sorvetes, chocolates, açúcar e massas brancas. Evitar também carnes gordas, embutidos, excesso de queijos e outros laticínios. Os laticínios são mucogênicos, favorecendo a produção de catarro. Fora da fase mais aguda, entretanto, deve-se usar iogurte. Se disponível, preferir o iogurte de leite de cabra. Crianças muito pequenas devem continuar a amamentação normal. Se é preciso recorrer à mamadeira, não usar açúcar, ou usar apenas um pouco de mel.

Não se tratando de criança em fase de lactação, deve-se administrar abundância de líquidos, como água ou sucos de frutas, a cada duas horas e meia ou três horas, sem açúcar. Nas refeições sólidas, pode-se preparar um purê de batata ou abóbora (sem leite) com saladas e outros legumes. Sugestão de refeição: batida de frutas com aveia e amêndoas. Todo cuidado é pouco para evitar engasgamento se, durante a refeição, ocorrer acesso de tosse. Deve-se, um dia ou outro, substituir uma ou mais refeições por sucos de frutas, ou frutas ao natural, exclusivamente. Podem-se usar abacaxi, laranja, melão, melancia, uva ou maçã com mamão. Conforme o caso, será muito proveitoso dar à criança suco de fruta, de três em três horas, sem açúcar, por um dia inteiro, sem outro alimento.

Sugestões de remédios tradicionais de frutas e hortaliças para amenizar a tosse

Há inúmeros remédios tradicionais contra a tosse, que podem ser úteis mas que não substituem o tratamento médico. Mencionaremos alguns, apenas. Para maiores informações, ver tosse.

Nabo (Xarope de nabo) — Ralar o nabo e pôr numa tigela, com açúcar mas­­­­cavo, ou mel por cima. Deixar repousar à noite. De manhã, bater no liquidificador e coar. Tomar, desse xarope, várias colheres, das de sopa, ao dia.

Coco — Fazer um orifício num coco verde, em que a maior parte da água tenha sido retirada (deixar só um pouco da água do coco), introduzir umas seis colheres, das de sopa, de mel ou melado, tapar e aquecer o coco até que a polpa se dissolva. Tomar de três em três horas, na dose de uma colher, das de sopa.

Manga — Cozinhar o suco natural de manga com mel até ficar reduzido à metade. Tomar uma colher, das de sopa, de hora em hora.

Limão com mel — Cozinhar dois limões durante dez minutos. Extrair o suco. Acrescentar seis colheres, das de sopa, de mel puro ao suco de limão. Pingar cem gotas de própolis a 30%. Ralar uma colher das de café de gengibre. Misturar bem sempre antes de tomar. Tomar uma colher, das de chá, em cada acesso de tosse.

Figo-da-índia — Descascar alguns figos-da-índia com faca e garfo, tendo cuidado com os espinhos. Cortar em rodelas, colocar numa vasilha, cobrir com mel e deixar repousar durante a noite. De manhã, macerar bem, misturando o mel com o figo-da-índia e coar. Tomar, às colheradas, ao longo do dia.

 

Plantas

Sabugueiro — Sugere-se começar o tratamento com o tradicional chá dessa planta, duas a três xícaras ao dia, sem adoçar. Derramar 300ml de água fervente sobre uma colher, das de sopa, de flores. Abafar. Filtrar. Pode-se inicialmente, para combater a febre, usar chá de alfavaca (uma colher, das de sopa, da planta picada para 300ml de água. Ferver e filtrar) com limão e umas vinte gotas de própolis, toda vez que a febre se manifestar.

Alfazema — Infusão: derramar água fervente sobre as flores azuis. Uma colher, das de chá, da planta picada para uma xícara de água fervente. Tomar morno, não mais que uma xícara ao dia, às colheradas, toda vez que a tosse se manifestar.

Assa-peixe — Infuso com uma xícara de água fervente sobre duas folhas bem picadas. Duas xícaras ao dia. Tomar morno, às colheradas. Não prolongar seu uso por mais que uns 3 dias. Substituí-lo por outra planta.

Capim-limão — Muito bem aceito pelas crianças. Preparar o infuso: 300ml de água fervente sobre duas colheres, das de sopa, de folhas picadas. Duas ou três xícaras ao dia, morno.

Confrei — Pode-se preparar um decocto com uma colher, das de sopa, de confrei em 250ml de água. Ferver por meia hora. Tomar essa quantidade ao longo do dia, aos goles. Não usar por mais do que uns dois ou três dias, devido ao efeito possivelmente tóxico dessa planta.

Guaco — Ferver seis folhas picadas em um litro de água. Filtrar e adicionar o suco de um limão e três colheres, das de sopa, de mel. Tomar uma colher, das de sopa, a cada três horas.

Poejo — Flores e folhas, uma colher, das de sopa, para 300 ml de água fervente, que se derramam sobre a planta. Tomar uma xícara do chá morno ao dia, às colheradas. Não usar mais do que dois ou três dias, substituindo por outra planta.

Assa-Peixe (Boehmeria arbo­rescens)


Programa Saúde Total

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