Amigdalite

Amigdalite

 “Garganta inflamada”

 

A inflamação das amígdalas (tonsilas palatinas), que o povo chama de “garganta inflamada”, geralmente não vem sozinha. Costuma vir com a inflamação de outras estruturas — a adenóide, a faringe e a amígdala lingual. Pode mesmo aparecer entre os sintomas de distúrbios sistêmicos como sarampo, gripe, sífilis etc.

Garganta inflamada, expressão vaga, nem sempre é sinônimo de amigdalite. Doenças virais e bacterianas, que vão da faringite à grave difteria, podem produzir “irritação da garganta”.

 

Quartel-general na entrada do corpo

 

Para guarnecer a entrada do corpo, nada como a tríplice fortificação que a Medicina chama de “anel de Waldeyer”, na boca, narinas e faringe. Os invasores defrontam sentinelas avançadas, que travam incansável luta a partir de três pontos:

1. Amígdalas palatinas, localizadas na orofaringe.

2. Amígdalas linguais, localizadas na base da língua.

3. Vegetações adenóides, localizadas na nasofaringe.

Essas estruturas são formadas de tecido linfóide, onde se concentram elementos de defesa do corpo, os glóbulos brancos (leucócitos) e os anticorpos. Se os inimigos (germes) atacam, a reação é imediata e muitas vezes eficaz. Não chegamos a perceber a luta que se trava e não temos idéia da freqüência com que nossas amígdalas e suas aliadas na defesa do corpo ganham para nós a batalha. Em situações críticas, as células das amígdalas se multiplicam (hiper­plasia). Na prática, aumentam de tamanho. Os tecidos se inflamam, doem, a deglutição e a respiração tornam-se difíceis. A amigdalite pode ser interpretada como a tentativa do corpo de ajustar contas com os germes invasores. Mas às­­ vezes o corpo perde terreno, e os inimigos se multiplicam. Há formação de pus, febre, e a doença se aprofunda, exigindo providências que ajudem o corpo na sua luta.

Quando a infecção é forte, ou se repete constantemente, nossos quartéis de defesa capitulam e acabam sendo “tomados” pelo inimigo. O sistema de defesa se desorganiza. São poucas as situações que justificam a extirpação cirúrgica de uma dessas estruturas de defesa (extirpação das amígdalas e/ou adenóides), mas em situações assim pode ser necessário.

Vêm ocorrendo cirurgias desnecessárias e precipitadas. Antigamente praticavam-se rotineiramente “extirpações preventivas”. Hoje, a Medicina admite que errou.

 

Complicações

 

As infecções locais das amígdalas são ordinariamente provocadas por estreptococos e se denominam infecções primárias. Focos distantes, entretanto, podem atacar as defesas localizadas na garganta, criando infecções secundárias.­ É o caso de varicela, sarampo, tuberculose, gripe, tifo, rubéola, difteria e outras doenças infecciosas, principalmente as que se instalam em mucosas. Pode acontecer também o contrário: do foco inicial da amígdala inflamada os germes disparam contra outros órgãos próximos, produzindo sinusite, otite, bronquite, laringite; e contra órgãos distantes, ocasionando nefrite (glomérulo-nefrite), febre reumática, uveíte (lesão da úvea, formada pela íris, corpo ciliar e coróide, no olho). A febre reumática pode provocar lesões cardíacas. Amigdalites repetitivas e fortes podem causar estas complicações, e por isso exigem cuidadosa avaliação médica.

E a cirurgia?

 

Fazer ou não a cirurgia? Os estudiosos do naturismo só admitem extirpações de qualquer parte do corpo em situações muito especiais. As amígdalas foram “projetadas” pelo Supremo Engenheiro da vida. Certamente não são destituídas de importância, como já se ousou afirmar. A inflamação crônica das amígdalas é sinal de que as defesas do corpo não vão bem, por contínuas agressões à sua estabilidade. Antigamente praticavam-se “extirpações preventivas” de amígdalas e apêndice. Hoje, finalmente, os alopatas, ao concluírem que aquilo era perigoso exagero, puseram o pé no freio. Mas os naturistas sempre se opuseram a isso. O mesmo argumento empregam no caso da adenoidectomia. Uma luz vermelha sempre acesa no painel de instrumentos do carro pode ser incômoda, mas alerta para algum defeito. Remover a lâmpada poderá pôr fim ao incômodo, mas jamais solucionará o problema original, obviamente. Comete-se incoerência semelhante ao retirar as amíg­dalas sem busca cuidadosa da causa (o que provocou a queda de resistência que culminou na inflamação). Alimentação de péssima qualidade, que inclui açúcar, fast-food, chocolate, massas refinadas, frituras etc., está entre os prin­cipais culpados (pouco se desconfia desses “alimentos”!). Estresse emocional, vida seden­tária e certa predisposição here­­­­di­tária figuram como “comparsas”.

Outros procedimentos

 

Se o intestino estiver “preso” ou “ressecado”, desde que não haja contra-indicação médica, é conveniente aplicar lavagem intestinal com água previamente fervida. Pode-se usar um litro a um litro e meio de água e repetir o procedimento até que o intestino esteja desimpedido. Crianças usam metade da dose. Os naturopatas recomendam a aplicação de argila no ventre e na garganta, ao mesmo tempo (duas a quatro horas. Ver como aplicar à página 114).

É preciso, depois da desintoxicação, adotar programa de complementação nutricional. São úteis a levedura de cerveja (uns 9 comprimidos diários), a clorela (uns 12 comprimidos diários) e a geléia real (2 a 4g diários). Esse programa ajuda a elevar os níveis de resistência global e prevenir reinfecções.

Tudo começou com certa dificuldade respiratória. Joãozinho dormia de boca aberta. Depois veio a dificuldade de engolir alimentos. A voz tornou-se fanhosa, o olhar abatido, e o temperamento extremamente irritável. Era amigdalite.

 

Alimentação

Na fase aguda, evitar alimentos extremamente quentes ou frios. Açúcar, laticínios, frituras e café também devem ser evitados. Adotar dieta “leve”. Na fase aguda recomenda-se regime de sucos, acompanhado de repouso.

Para diminuir a tendência a freqüentes inflamações de garganta, é preciso cultivar ambiente intestinal sadio, o que se consegue principalmente por meio de dieta adequada. Alimentos gordurosos, açúcar, laticínios, guloseimas, fast-food, bebidas açucaradas, molhos, temperos complicados etc. precisam ser evitados. Comer com moderação, mastigando bem. Sinal vermelho para o excesso de carnes, especialmente embutidos, frios e frituras. Evitar chocolate, queijos, laticínios, produtos industrializados e temperos como vinagre. Comer regularmente, às refeições. Mastigar muito bem.

Tratamento pela alimentação

Alimentação para a fase aguda*

Para “limpar” o organismo, sugere-se programa de desintoxicação como o seguinte, adaptável a cada caso:

Pode-se, por alguns dias, adotar dieta líquida (não adoçar os sucos; usar canudinho). Manter repouso. O número de dias em dieta líquida dependerá de cada caso. Podem ser necessários vários dias.

8h — suco de mamão.

11h — suco de maçã.

14h — suco de cenoura com salsão.

17h — suco de laranja (preparado na centrífuga).

20h — suco de maçã.

Observação: É melhor preparar os sucos na centrífuga, inclusive o suco de laranja (descascar e passar na centrífuga com a parte “branca”).

Em seguida, pode-se observar um cardápio como o seguinte:

Meia hora antes da primeira refeição — bebida alcalinizante (ver modo de preparar à página 138).

Desjejum — maçã ralada

Lanche — água-de-coco

Almoço — cenoura crua ralada, arroz integral (mastigar muito bem), legumes cozidos, grão-de-bico bem cozido (em grãos, não em caldo)

Jantar — maçã ralada ou pêssego, mamão, aveia cozida com frutas cozidas ou suco de fruta, amêndoas ou nozes raladas.

Continuar com dieta semelhante a essa, leve, durante alguns dias, até alívio dos sintomas.

 

Dieta para prevenir inflamações de garganta

Os naturistas recomendam dieta de manutenção, que ajude a “desinchar” os tecidos e prevenir inflamações. Esta dieta é rica em frutas e líquidos.

Passar um dia por semana com a dieta de sucos já indicada no tópico anterior (manter repouso).

Passar ainda três ou quatro dias por semana com bebida alcalinizante no lugar do desjejum (ver modo de preparar à página 138). Pode-se também usar suco de fruta, como maçã ou laranja, preparado na hora, na centrífuga, ou comer a fruta.

A segunda dieta indicada no tópico anterior pode ser adotada uma vez por semana.

Ao deitar, tomar uma colherinha de mel de eucalipto com umas 5 gotas de própolis.

* As dietas terapêuticas naturais são empregadas em clínicas naturistas e por medicinas tradicionais. Adote alimentação saudável, mas não mude radicalmente sua alimentação sem orientação profissional.

 

* Estas sugestões naturais não suprimem a avaliação médica.

 

Plantas e outras sugestões naturais*

Alfavaca — Preparar decocto bem forte de alfavaca e gargarejar várias vezes ao dia. Pincelar a garganta com sumo dessa planta. Ao gargarejar, deglutir alguns goles.

Alho — Para tratar afecções da garganta em geral pode-se tomar a água de alho com mel, limão e própolis. Prepara-se da seguinte maneira: maceram-se três dentes de alho em 70ml de água. Coa-se. Mistura-se uma colherinha de mel, um limão e 30 gotas de própolis. Tomar uma colher das de chá dessa solução a cada hora, ou pingar algumas gotas diretamente na garganta, ao longo de todo o dia. Fazer novo preparado a cada dia.

Altéia — Ferver quatro colheres, das de chá, da raiz. Coar, adoçar com um pouco de mel e tomar duas xícaras das de café por dia. Fazer também gargarejos.

Camomila, calêndula, urtiga, hera-terrestre e verbasco: Misturar essas plantas em quantidades iguais. Preparar um cozimento (duas colheres das de sopa para meio litro de água) e tomar cada três horas uma xícara das de chá.

Casca de olmo — A casca do olmo (Ulmus fulva, uma árvore) é também muito boa para dores de garganta. Prepara-se o decocto bem forte e faz-se o gargarejo, tantas vezes quanto possível. É recomendável deglutir um gole de vez em quando. Pode-se tomar também o infuso, preparado com o pó da casca. Uma colher das de chá para cada duas xícaras de água. Tomar 100ml, morno, duas a três vezes ao dia (coar antes de tomar).

Feno-grego: Ferver duas colherinhas, das de chá, das sementes de feno-grego em duas xícaras de água. Tomar fracionadamente, ao longo do dia. É muito indicado no caso de febre.

Gerânio: Gargarejo com o chá dessa planta várias vezes ao dia. Proporção: 50g para um litro de água.

Geléia real — Pôr sob a língua, três vezes ao dia, 1g de geléia real.

Gengibre — Compostos de gengibre, alho, própolis e mel são encontrados sob diferentes apresentações no mercado e podem ser aplicados diretamente à garganta, algumas gotas a cada meia hora. O mesmo se pode fazer com própolis, solução alcoólica a 30%.

Limão, mostarda, própolis e carqueja — Entre as refeições, usar um pouco de suco de limão com água morna e própolis. Fazer gargarejos com suco de mostarda e água (pelo menos 5 diários). Se preferir vários, fazer gargarejos diários com chá forte de alfavaca, tanchagem, suco de romã, ou água com sal marinho (separadamente). Internamente, para fins depurativos e digestivos, recomenda-se a mistura de carqueja e tanchagem, em infusão. Usar uma colher, das de sopa, da mistura para cada três xícaras. Três xícaras ao dia.

Pimenta-de-caiena — A pimenta-de-caiena é excelente remédio contra inflamações de garganta. É também específica para a febre, segundo Kloss, famoso herborista. Podem-se tomar uma ou duas cápsulas com um copo de água, ou, simplesmente, tomar um pouco de água contendo umas pitadinhas de pimenta em pó. A sensação de ardor é, aliás, indício de que a pimenta age sobre as mucosas, aumentando a irrigação sangüínea e permitindo maior aporte de células de defesa.

Sálvia — Preparar o chá bem forte de sálvia e gargarejar várias vezes ao dia. Pincelar a garganta com sumo dessa planta. Ao gargarejar, deglutir alguns goles.

Tanchagem — Preparar o decocto bem forte de tanchagem e gargarejar várias vezes ao dia. Pincelar a garganta com sumo dessa planta. Ao gargarejar, deglutir alguns goles.

 

Você sabia?

Alho (Allium sativum)

É indicado para combater bronquite, gripe e resfriados; também age como vermífugo.

Recomenda-se tradicionalmente o suco de alho com limão e própolis: Bater 3 dentes de alho, ½ xícara de suco de limão e 20 gotas de própolis no liqui­fi­cador. Dividir em 4 doses e tomar ao longo do dia.

 

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.