Acidose

Acidose

 Diferentes enfermidades e intoxicações podem provocar acidose. Diabetes melito, insuficiência renal, ingestão de álcool (alcoolismo), ingestão de paraldeído e intoxicação por salicilatos (como ingestão excessiva de aspirina) podem provocar acidose, com elevação de certas substâncias no sangue, como fosfatos, ácido láctico, uréia, sulfatos, albumina e cetoácidos. Conforme o problema, poderá ocorrer aumento de um ou mais desses compostos no sangue.

Diarréias, fístulas intestinais e pancreáticas, ileostomia, ingestão de ácidos e de medicamentos à base de acetazolamida e sulfamilon podem ocasionar acidose metabólica por perda de bicarbonato (HCO3).

Distúrbios na ventilação podem desencadear acidose respiratória, como vimos, pela má eliminação de gás car­bônico.

 

Sintomas

 

É preciso estudar o contexto clínico em que se apresenta a acidose. Perda de apetite, náuseas, vômitos e sonolência podem indicar acidose.

Para a Medicina natural a acidose, cujo significado difere do convencional, constitui ameaça importante. Mas os danos costumam manifestar-se a longo prazo. Esta é a razão por que muitos desconhecem ou subestimam aquilo que os estudiosos do naturismo médico chamam de “acidose” ou “discreta acidose”, pois geralmente não se notam sintomas agudos preocupantes.

 

A acidose no diabetes

 

Os distúrbios metabólicos induzidos pelas alterações hormonais do diabetes melito podem levar à acidose, ou à produção excessiva de corpos cetônicos, que ocasionam sintomas como: sede intensa, falta de ar, fraqueza, dor de cabeça e até coma. Ver diabetes melito.

 

Reação dos alimentos

 

No metabolismo, os alimentos podem ser acidificantes ou alcalinizantes, conforme sua reação química. Para planejarmos um cardápio saudável, é vital conhecermos as proporções em que devem entrar as duas classes de alimento. Só assim nosso organismo poderá manter o “equilíbrio ácido-básico”. Uma reação saudável dependerá do cuidado em escolher os alimentos, de modo que os alcalinizantes predomi­nem em quantidade sobre os acidifi­cantes.

Os naturistas dão muita ênfase a este assunto, ao passo que os fisio­logistas apenas o referem superficialmente.

Excetuando-se o leite, os alimentos de origem animal, os cereais e as farinhas deles derivadas, o pão, as massas e os feijões provocam “acidez orgânica”, isto é, deixam determinados resíduos ácidos no metabolismo.

 

Alimentos ácidos produzem reação básica?

 

O leite e os alimentos vegetais (exceto os cereais, as nozes, as legumi­nosas e as oleaginosas), mesmo frutas ácidas como o limão, produzem alca­linidade no sangue! Isto é exatamente o contrário do que se pensa: que as frutas produzem ‘acidez’. Quase todos acreditam que o limão e outras frutas azedas, no sangue são tão ácidas como na boca. As frutas, ainda que de sabor ácido, pelas suas valências básicas oxidam-se e tornam o meio orgânico alcalino.

Portanto, é erro grave comer só alimentos acidificantes. A “acidose” é a “recompensa” dos que cometem esse erro. Aqui salientamos uma das maiores vantagens do uso de hortaliças e frutas.

 

Superstição popular

 

A superstição popular criou certa prevenção contra as “frutas ácidas”, que “azedam o estômago”, “cortam o sangue” etc. Pelo contrário, a acidez das frutas regulariza o equilíbrio ácido-básico do organismo, favorecendo antes a alcalinidade do que a acidez. Assim, os idosos, os homens de vida sedentária, os que se excederam no álcool, os que, em síntese, tendem a aumentar a acidez dos seus humores devem, para contrapeso, fazer largo uso de frutas ácidas: limão, laranja, abacaxi, caju e outras, mas particularmente o limão. Entretanto, convém observar que estas frutas devem ser usadas sós, sem açúcar, não misturadas com qualquer outro alimento, e em horário próprio, isto é, sempre em lugar de uma refeição, não entre elas. O grande erro que as pessoas cometem em relação ao uso das frutas ácidas é ingeri-las juntamente com outros alimentos, ou perto de uma refeição, o que produz indigestão e acidez. Daí ganharem as frutas ácidas má reputação como causadoras de mal-estar digestivo.

Apesar de suas características ácidas as frutas assim classificadas exercem ação alcalinizante no organismo. Seus diferentes ácidos, em combinação com as diversas bases, formam sais ácidos, tais como citratos, malatos, tartaratos etc. (aos quais, aliás, devem sua acidez), que se transformam em carbonatos alcalinos solúveis. Desse modo, neutralizam a acidez dos humores, mantendo-os em estado de alcali­ni­­­­­­­­­dade constante. É por isso que se reco­men­dam frutas ácidas em todos os casos de acidez excessiva.

As frutas, quando imaturas, podem provocar perturbações gastrintestinais, especialmente nos dispépticos e nas crianças. Ao amadurecerem, contudo, convertem parte de seus ácidos em açúcares. Porém, se ficam muito maduras, esses açúcares, assim formados se reconvertem em ácidos e, desta vez, prejudiciais à saúde, como o acético, o butírico, o láctico etc. Por isso, não se devem ingerir frutas passadas.

 

Curas de frutas alcalinizantes

 

As “curas de frutas” oferecem, na opinião dos estudiosos da alimentação natural, como Benner e Waerland, inúmeras vantagens. As frutas, ricas em vitaminas, sais minerais e açúcares naturais, são pobres em gorduras e proteínas. Sua reação final no metabolismo é alcalina.

 

A acidose, que se pode constatar numa análise de sangue, não é propriamente doença, mas indício de algum distúrbio, como diabetes melito, insuficiência renal, doença diarréica etc. Define-se como alteração do equilíbrio ácido-básico do sangue, com aumento anormal da reação ácida. Decorre de acumulação de ácido ou perda de álcali (base). Referimo-nos aqui à acidose metabólica.

Aprenda a preparar a bebida (ou líquido) alcalinizante

Muito usada em clínicas naturistas européias na remoção de resíduos acidógenos do corpo.

Modo de preparar: Deixar de molho, durante a noite, em meio litro de água, uma colher, das de sopa, de linhaça e duas colheres, das de sopa, de farelo de trigo. De manhã, bem cedo, escolher um ou mais legumes (pode-se variar). Dar preferência a legumes sem agrotóxicos. Por exemplo, batata, beterraba, aipo, nabo, cenoura (com a casca e muito bem lavados). Cozinhar esses vegetais crus por uns vinte minutos, em 700ml de água, com a casca (lavar e escovar bem). Podem-se usar uma batata média, uma cenoura e um nabo, bem picados, ou uma cenoura, um aipo e uma beterraba. Variar conforme a disponibilidade. Separar apenas o líquido. Os legumes cozidos podem ser guardados na geladeira para uso de quem não estiver em tratamento, no almoço. Misturar os dois líquidos, coados (o cozimento dos vegetais com o líquido contendo a linhaça e o farelo de trigo, filtrado). Se for tempo do frio, aquecer levemente (de preferência em “banho-maria”) e tomar, vagarosamente, 250ml dessa bebida, em jejum, meia hora antes da primeira refeição.

No começo, há quem não se sinta bem com essa bebida. Acostumar-se aos poucos.

Alcalinização e acidificação

Baseados numa tabela fornecida pelo Prof. N. Capo, damos a seguir uma lista de alimentos vegetais que produzem a alcalinização do sangue em comparação com uma lista de artigos que favorecem a acidificação do sangue.

 

Alimentos Poder de alcalinização

 

Acelga 4,50 %

Agrião 16,75 %

Aipo 13,00 %

Alcachofra 5,50 %

Alface 7,00 %

Alho  45,00 %

Alho-porro 25,00 %

Ameixa-preta       22,00 %

Amora-silvestre 28,00 %

Ananás 36,00 %

Arroz integral 0,03 %

Aspargo 2,00 %

Aveia 0,05 %

Azeda 14,00 %

Azeitona 0,50 %

Banana 0,60 %

Batata 0,09 %

Batata-doce 0,06 %

Beldroega 6,50 %

Berinjela 2,50 %

Beterraba 5,00 %

Brócolis 1,00 %

Cardo 5,75 %

Cebola 40,00 %

Cenoura 6,00 %

Centeio integral 0,04 %

Cereja 28,00 %

Cevada integral 0,05 %

Chicória 15,00 %

Couve 8,00 %

Couve-flor 0,05 %

Dente-de-leão 16,00 %

Ervilha tenra 1,35 %

Espinafre 11,00 %

Fava tenra 1,25 %

Feijão verde 1,00 %

Figo 5,00 %

Funcho 10,00 %

Groselha 27,00 %

Laranja 50,00 %

Lima 18,50 %

Limão 75,00 %

Mel 5,00 %

Melão 20,00 %

Milho integral 0,04 %

Milho tenro 0,08 %

Nabo 9,00 %

Pepino 1,50 %

Pêssego-amarelo 39,00 %

Pêssego-branco 31,00 %

Rabanete 15,00 %

Salsa 2,00 %

Soja tenra 0,90 %

Tomate 39,00 %

Uva 32,00 %

Alimentos Poder de acidificação

 

Açúcar branco 36,00 %

Azeite frito 54,00 %

Doce de confeitaria 42,00 %

Farinha branca 29,00 %

Fava 45,00 %

Feijão cozido 42,00 %

Feijão frito 56,00 %

Lentilhas    35,00 %

Manteiga de vaca 25,00 %

Mostarda 39,00 %

Ovo cru 20,00 %

Ovo frito 45,00 %

Ovo requentado 24,00 %

Pão branco 30,00 %

Purê de legumes 39,00 %

Queijo duro fermentado 82,00 %

Queijo seco 71,00 %

Sal comum 12,00 %

Soja 53,00 %

Como tratar a acidose

No caso de diabetes, insuficiência renal, alcoolismo etc., doenças que tradicionalmente podem gerar acidose, há tratamentos específicos.

Para normalizar a reação do sangue, como já ficou claro, as curas de frutas e hortaliças são, em geral, o tratamento eleito pelos estudiosos das terapias naturais, como Shelton e Acharan. Sugere-se passar alguns dias com sucos de frutas, bebida alcalinizante, hortaliças ou frutas (manter repouso). Se não for possível, convém pelo menos substituir algumas refeições por frutas ou sucos naturais. Para conservar o equilíbrio ácido-básico, mesmo em condições normais de saúde, deve-se diminuir o consumo de alimentos acidificantes, ingerindo-se mais abundantemente os alcalinizantes. Uma refeição diária deve ser composta só de alimentos alcalinizantes (como frutas ou sucos de frutas, com ou sem coalhada, ou batata com saladas cruas e legumes), ou com o mínimo de alimentos acidificantes (algumas torradinhas). As dietas terapêuticas naturais são empregadas em clínicas naturistas e por medicinas tradicionais. Adote alimentação saudável, mas não mude radicalmente sua alimentação sem orientação profissional.

O magnésio é mineral que ajuda a alcalinizar o sangue. Tomar 9 a 12 comprimidos de clorela ao dia, pois nessa alga o magnésio é especialmente abundante, e uma colher, das de chá, de pó de carvão ativado em um pouco de água após o almoço.

Preventivamente, esse princípio se demonstra particularmente valioso. Uma dieta predominantemente alcalina previne, na opinião dos estudiosos da alimentação natural, como o prof. Nicolas Capo, a maioria das doenças de degeneração.

*Sugestões naturais podem apresentar, na prática, bons resultados, mas não suprimem o estudo das causas e a orientação médica.

 

Exemplo de cardápio alcalinizante (e desintoxicante)*

 

Duração de 1 ou 2 dias, podendo estender-se por mais tempo, dependendo de cada caso e critério profissional:

7h — Ao acordar: 150ml de bebida alcalinizante (ver modo de preparar à página 138).

8h — Desjejum: Suco fresco de frutas como maçã e mamão.

10h — Chá depurativo: Uma xícara. Podem-se misturar plantas depurativas, como cavalinha, dente-de-leão, chapéu-de-couro e boldo. Uma colher, das de sopa, da mistura das ervas para cada duas xícaras de água. Deixar ferver por três minutos. Coar.

11:00 h — Suco de laranja-lima-da-pérsia ou melão

12:30 h — Chá depurativo: O mesmo das 10h. Uma xícara.

14:00 h — Suco de frutas como maçã e mamão.

15:30 h — Chá específico: Digamos que o distúrbio principal do paciente (suponhamos, mulher) se situe no sistema reprodutor. As plantas indicadas podem ser: camomila, abútua, agoniada etc. Se for disfunção nervosa: erva-cidreira-verdadeira, alfazema, mulungu etc. Uma xícara. Mesmo modo de prepar do chá anterior.

17h — Suco fresco de frutas como maçã e mamão.

20h — Suco de laranja-lima-da-pérsia ou melão. Se houver muita fome, frutas picadas com semente de girassol e algumas torradinhas de pão integral (primeiro as frutas, depois as torradas).

Plantas*

 

As plantas de efeito depurativo têm, no conjunto do tratamento, efeito alcalinizante, pois, na opinião dos estudiosos das terapias naturais, como Acharan, ajudam a expelir o excedente de produtos de degradação do metabolismo. Recomendam-se chás de malva, hortelã, alfafa, tanchagem, chapéu-de-couro, mil-em-rama.

Como usar: Podem-se misturar duas dessas plantas. Uma colher, das de sopa, da mistura das ervas para cada duas xícaras de água. Deixar ferver por três minutos. Coar. Toma-se durante uma semana, duas a três xícaras ao dia.

A cada semana varia-se a dupla de plantas.

Depois de uma semana, interromper o uso dos chás por dois ou três dias, durante os quais ingerir água abundantemente, ou água com limão.

O uso de plantas medicinais deve, de preferência, ser acompanhado por experiente profissional de saúde.


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.