Vitamina D

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Vitamina D e raquitismo

Não é incomum observarmos nas telas de pintores renascentistas crianças esqueléticas, atacadas por uma doença deformadora dos ossos. É o retrato de uma realidade que se arrastou por séculos, ainda hoje predominante. No rastro da fome, da miséria e da ignorância seguem doenças consumptivas e carenciais. O raquitismo chegou a ser considerado uma condição normal, devido à freqüência. Ignorava-se a relação dessa doença com a deficiência de vitamina D e a falta de exposição à luz solar. Já se especulava, entretanto, a possibilidade de a luz solar prevenir certos problemas ósseos, pois o raquitismo era comum entre crianças confina¬das a ambientes urbanos e residentes em lugares frios, raramente visitados pelo sol.
Em 1920, Mellanby e Huldschinsky demonstraram que a exposição à luz solar e a ingestão de fontes alimentares de vitamina D preveniam, e até curavam, o raquitismo. Em 1924, Steenbock e Hers notaram a formação, na pele, de compostos lipossolúveis, como a vitamina D, mediante exposição aos raios ultravioleta, o que esclareceu que essa vitamina não é só fornecida pelos nauseantes óleos de fígado de peixe, como o de fígado de bacalhau. Em 1930, a vitamina D foi isolada na forma cristalina, e chamada calciferol. Windaus, em 1936, descobriu que a substância presente na pele e que, à irradiação solar, transformava-se em vitamina D, era um pré-hormônio, o 7-deidrocolesterol. Em 1968,
Blunt, De Luca e Schnoes demonstraram que a forma metabolicamente ativa da vitamina D era o 25-hidroxicolecalciferol, e não simplesmente o calciferol. Até o momento, novas descobertas têm-nos ampliado os conhecimentos sobre o metabolismo desta vitamina lipossolúvel.

 

Grupo D de vitaminas

Da classe dos esteróides, foram identificados mais de dez compostos com atividade de vitamina D. Os mais importantes, entretanto, são dois:

- Calciferol, ergocalciferol, viosterol ou vitamina D2;

- Colecalciferol ou vitamina D3.

- A vitamina D2, ou ergocalciferol, provém da irradiação do ergosterol, ou pró-vitamina D. O ergosterol é um esteróide vegetal, encontrado, por exemplo, no espigão do centeio e em leveduras.

- A vitamina D3, ou colecalciferol, provém da irradação do 7¬-deidrocolesterol, encontrado na pele e em tecidos animais, e também presente nos óleos de peixe.

- A vitamina D1, menos importante, é um composto molecular de luminesterol e vitamina D2.

 

Absorção e armazenamento

- As vitaminas do grupo D são prontamente absorvidas em jejum, na presença de sais biliares.

- O transporte, após absorção, ocorre através dos quilomicrons, sendo a vitamina D levada primeiramente ao fígado.

- No fígado, sofre hidroxilação em 25-hidroxicolecalciferol.

- Do fígado, essa substância é transportada por uma globina até os rins.

- Nos rins, o 25-hidroxicolecalciferol é hidroxilado em 1,25-¬diidroxicolecalciferol, que é o metabólico mais ativo da vitamina D. Ocorre também hidroxilação a 24, 25-diidrocolecalciferol, cuja função ainda é discutida.

- O armazenamento da vitamina D é verificado no fígado, na pele, no cérebro e nos ossos.

 

Funções metabólicas básicas

- A vitamina D está muito ligada ao metabolismo do cálcio e do fósforo.

- O cálcio é transportado no intestino através de uma proteína, cuja síntese é ativada pela vitamina D. A absorção de fosfatos é aumentada pela presença de vitamina D.

- A síntese de 1,25-diidroxicolecalciferol depende do paratormô¬nio, secretado pela tireóide; essa secreção, por seu turno, é estimulada pela diminuição do cálcio no sangue. A própria função tireoideana, no tocante ao paratormônio, depende da adequação da vitamina D.

- A adequada mineralização dos ossos requer vitamina D. Na sua ausência, ocorrem defeitos na mineralização e na síntese de colágeno.

- A regulação da permeabilidade celular e endotelial, da osteogê¬nese e do crescimento tem que ver com o 1,25-diidroxicolecalciferol.

- Em suma, o crescimento e o desenvolvimento ósseo e dentário dependem da vitamina D.

 

Sinais e sintomas de carência

- O raquitismo em crianças e a osteomalácia em adultos constitu¬em o resultado da deficiência de vitamina D no organismo.

- Entre os sintomas mais comuns de raquitismo, destacam-se a mᬠformação óssea, em que os ossos tornam-se maleáveis e distorcidos, dando lugar a deformações como o genuvaro (genu varum ou pernas arqueadas para dentro), o genuvalgo (genu valgum ou pernas arqueadas para fora), o tórax de pombo, o rosário raquítico, os punhos e os tornozelos aumentados.

- A osteomalácia, quadro similar em adultos, caracteriza-se por má calcificação óssea, com progressiva deformação e flexibilização; a coluna vertebral, o tórax e os membros exibem freqüentemente sinais de deformação.

- Ademais, a deficiência de vitamina D pode produzir má conso¬lidação de fraturas, hiperexcitabilidade nervosa e muscular, diminuição e parada de crescimento, anorexia, certos tipos de alergia, e suscetibilidade aumentada a micoses. Pacientes com osteoporose senil podem, em alguns casos, apresentar a osteomalácia em sua história clínica, havendo presumível favorecimento daquela doença degenerativa por esse pro¬cesso carencial.

 

Necessidades nutricionais

A FAO/OMS e o Food and Nutrition Board fixaram em cerca de 300 a 400 UI de vitamina D/dia, ou 7,5 a 10 mcg/dia, a quota recomendada para lactentes e crianças até os 6 anos.

- A FAO/OMS estabelece suas recomendações em 100 UI/dia ou 2,5 mcg/dia a partir dos 6 anos de idade.

- Admite-se que a necessidade desta vitamina não é facilmente estabelecível, haja vista que a adequada exposição aos raios solares propicia a fotossíntese de boa parte da vitamina D requerida, ou provavelmente atenda a todo o seu requerimento.

 

Boas fontes alimentares

Nos climas frios, onde a luz solar é escassa, recomenda-se, principal¬mente, adequado suprimento alimentar de vitamina D. A linha lacto¬-ovo-vegetariano-naturista de alimentação indica a nata de leite, o leite integral, a gema de ovo e os vegetais irradiados. Os óleos de fígado de peixes, como bacalhau, lambari (peixe telcósteo), certos cações, aren¬que e atum, contêm elevados teores de colecalciferol. Seu emprego, entretanto, é dispensável, uma vez que as condições retrocitadas para a adequação sejam observadas.

 

Hipervitaminose

Não ocorre hipervitaminose D por via alimentar, mas por via do uso inadequado de complementações medicamentosas ou "alimentícias". Entre os sinais de intoxicação: náusea, anorexia, lassidão, diarréia, vômitos, emagrecimento, sudorese, dor de cabeça, sede e vertigem. O cálcio deposita-se excessivamente nos ossos, nas artérias e nos rins, o que conduz, respectivamente, a problemas ósseos, aterosclerose e desor¬dens renais. Pode até, em casos extremos, dar-se o óbito. O uso inoportuno de complementos alimentares, como os referidos óleos de fígado de peixes, pode favorecer a hipervitaminose. Além dessas manifestações, observam-se sinais como lesões corneanas, depósito de cálcio na córnea e na conjuntiva e anormalidades cranianas, faciais e dentárias em fetos cujas mães submeteram-se a ingestões excessivas de vitamina D.

 

Vitamina ou hormônio?

Alguns pesquisadores salientam a identidade entre a vitamina D e os hormônios, sugerindo que essa substância, considerada até então uma vitamina, trata-se, na realidade, de um hormônio. Algumas caracterís¬ticas que sustentam essa hipótese:

- A vitamina D ocorre em quantidade muito pequena na dieta comum. Os teores usualmente encontrados chegam a ser inadequados do ponto de vista nutricional.

- Ela é encontrada na pele, no fim do processamento metabólico, longe de seus órgãos-alvo.

- A vitamina D é sintetizada em grande parte no organismo. Requer várias transformações antes de tornar-se apta para a utilização metabólica.


 


Programa Saúde Total

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