Ferro

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Ocorrência

O ferro é o micronutriente que ocorre em maior quantidade no organismo: 0,15% no total de cinzas e 4,5 gramas por 70 quilos de peso corporal. Cerca de 60 a 70% do ferro do organismo encontram-se na hemoglobina, molécula presente nos glóbulos vermelhos, responsável pelo transporte de gases. O restante acha-se distribuído por vários setores: fígado, baço e medula óssea (ferritina e hemossiderina), músculos (mioglobina), sangue (transferrina) e em todas as células como componente de certas enzimas e materiais cromatínicos. O ferro essencial, ou funcional, encontra-se incorporado à hemoglobina, à mioglobina e a certas enzimas respiratórias que catalisam processos oxirredutores. O ferro de reserva, ou não-essencial, encontra-se princi¬palmente na forma de ferritina, transferrina e hemossiderina.

 

Absorção, armazenamento, transporte e excreção

A absorção do ferro é, entre outras coisas, regulada por fatores ligados ao seu requerimento fisiológico. O nível de absorção de ferro é o meio pelo qual o organismo controla o equilíbrio deste mineral, já que ele não sofre excreção significativa.

- A região em que ocorre maior absorção é o duodeno superior, onde a acidez ambiental é mais forte.

- Ao passar para dentro da célula da mucosa, parte do ferro se combina com uma proteína específica, a apoferritina, para formar ferritina, molécula que o armazena temporariamente. - Outra parte do ferro é liberada para o plasma, onde é captada pela transferrina, molécula transportadora.

- O ferro passa das células da mucosa para o sangue à medida que a transferrina o requisita, mecanismo que funciona, basicamente, do seguinte modo: a transferrina pode ser considerada como uma molécula ao mesmo tempo armazenadora e transportadora de ferro, em uma etapa intermediária. Quando o organismo necessita de ferro em algum setor, a transferrina o cede para este setor e novamente o capta da mucosa intestinal, mantendo-se, deste modo, saturada. Na eventualidade de aumentar o requerimento de ferro pelo organismo, a concentração deste mineral na transferrina diminui, o que deve logo ser compensado pela liberação de ferro da ferritina no intestino, que por seu turno desencadeia um processo pelo qual a taxa de absorção aumenta.

- Supõe-se que somente 5 a 15% do ferro da dieta é absorvido pelo organismo adulto normal. Não obstante, este nível de absorção pode subir para 50%, no caso de haver carência de ferro.

- Entre os fatores que aumentam a absorção de ferro, gostaríamos de destacar os seguintes:
meio ácido (adequada produção de ácido clorídrico); presença de cálcio no intestino, que auxilia na remoção de antagonistas do ferro, como o fosfato, o fitato e o oxalato; fator intrínseco: este fator aumenta o aproveitamento do ferro do tipo heme; estado fisiológico: durante fases em que a taxa de produção de sangue encontra-se elevada, o organismo aumenta sua capacidade de absorção de ferro; o mesmo ocorre quando a dieta é relativamente pobre em ferro ou há carência orgânica.

- Entre os fatores que diminuem a absorção de ferro, gostaríamos de destacar os seguintes:
meio alcalino: se a produção de ácido clorídrico é deficiente ou há uso freqüente de antiácidos, a absorção de ferro é prejudicada; presença de agentes complexantes, como fosfatos, fitatos e oxalatos, que formam com o ferro complexos não-aproveitáveis;
desordens intestinais: a esteatorréia provocada pela Giardia lamblia (protozoário) e por outras causas, como a hipermotilidade intestinal, diminuem a absorção de ferro devido à diminuição de tempo ou superfície de contato útil com a mucosa.

- O ferro na forma ferrosa (Fe ++) parece ser mais prontamente absorvido que o ferro na forma férrica (Fe +++), mais freqüentemente presente nos alimentos. O ácido do estômago, bem como o ácido ascórbico, favorecem a redução da forma férrica para a ferrosa, o que melhora a taxa de absorção.

- A quantidade de ferro armazenada no organismo na forma de ferritina e hemossiderina é aproximadamente de um grama, distribuída nas seguintes proporções: 30% no fígado e na medula óssea, e o restante no baço e nos músculos.

- A excreção de ferro é pequena. A maior parte consiste na perda fecal e na perda em virtude da renovação de células dos epitélios. A perda menstrual em mulheres aumenta a defasagem de ferro. As hemorragias podem levar a grande perda de ferro (anemia aguda). Às vezes ocorre hemorragia oculta no estômago ou intestino, o que pode ocasionar anemia.

 

Funções metabólicas básicas

A principal função do ferro consiste em participar do transporte de gases do pulmão para os tecidos (oxigênio), e dos tecidos para os pulmões (gás carbônico). Esta importante função o ferro realiza ligado à molécula de hemoglobina, que por seu turno acha-se presente nos glóbulos vermelhos (ou hemácias).

- A mioglobina, presente nos músculos, apresenta função seme¬lhante à da hemoglobina.

- A oxirredução do ferro nos citocromos (Fe ++ em Fe +++,e vice-versa) permite a transferência de elétrons através da cadeia respi¬ratória, última fase da produção de energia em todas as células. As enzimas que catalisam este processo são a catalase e a peroxidase.
Há suspeitas de que o ferro atue também na conversão de beta¬caroteno em vitamina A, na síntese de purinas, no clareamento sangüíneo de gorduras e na desintoxicação de drogas pelo fígado.

- O leite materno contém lactoferrina, proteína ligada ao ferro que evita infecções pela E. coli no intestino do recém-nascido.

 

Produção de hemoglobina

O ferro participa da composição da hemoglobina, molécula que confere a coloração vermelha às hemácias. A hemoglobina é formada por quatro grupos heme contendo ferro, cada um associado a quatro cadeias polipeptídicas, que constituem a parte protéica, ou globina. A hemoglobina no sangue varia, normalmente, entre 12 e 14 g/100 ml nas mulheres, e entre 14 e 18 gramas no homem.

Durante a vida fetal, os glóbulos vermelhos são produzidos principal¬mente no fígado e no baço. No adulto, eles são produzidos em maior escala pela medula óssea. À medida que os eritroblastos (precursores dos glóbulos vermelhos) maturam na medula óssea, o heme é sintetizado a partir da glicina e do ferro, e combinado à globina. Nutrientes como a vitamina B6, os aminoácidos, o cobre e a vitamina C são necessários à síntese de hemoglobina. Cerca de 20 mg de ferro são gastos diariamente na produção de hemoglobina, quantidade que é reaproveitada, como veremos em seguida.

O tempo de vida útil de um glóbulo vermelho é de aproximadamente 120 dias, quando ele é removido da circulação pelo sistema retículo-¬endotelial (principalmente baço, fígado e medula óssea), onde ocorre desintegração da hemácia (hemocaterese). O ferro da hemoglobina é devolvido, sendo liberado da porfirina. Em seguida, parte dele é captada pela transferrina e devolvida à medula óssea para a fabricação de novas células, e parte é armazenada no fígado e no baço. Cerca de 90% do ferro são conservados e utilizados repetidas vezes. Este mecanismo de reaproveitamento previne estados carenciais, pois seria praticamente impossível suprir dieteticamente as necessidades de ferro no caso de haver perdas representativas durante a hemocaterese. A porfirina sem ferro é degradada a bilirrubina e excretada através da bile. Se houver deficiência de ácido ascórbico, vitamina B1, vitamina E e ácido fólico, ocorrerá maior degradação de glóbulos vermelhos.

 

Sinais e sintomas de carência

A deficiência de ferro é muito comum, e pode manifestar-se através de anemia ferropriva, do tipo microcítico. A ingestão dietética inade¬quada em ferro é uma das causas mais freqüentes, mas pode haver outros fatores desencadeantes ou agravantes, como hemorragias e deficiência de proteína e vitaminas C, B6, B12 e folato. O exame laboratorial de sangue revela diminuição da hemoglobina e do hematócrito. Os sinais e sintomas clínicos mais comuns são palidez das mucosas, indisposição, fraqueza, etc. Anemias graves podem resultar em disfunção cardíaca.

 

Necessidades nutricionais

O National Research Council recomenda, para adultos normais, a ingestão de 18 mg/dia para mulheres, e 10 mg/dia para homens, considerando que cerca de 10% do ferro ingerido será absorvido. As recomendações para mulheres são bem mais elevadas devido à perda menstrual. Após a menopausa, quando cessam as perdas menstruais, esta diferença diminui até desaparecer.

Crianças devem ingerir quotas mais elevadas de ferro, tendo em vista que há crescimento e concomitante aumento de volume sangüíneo. De 5 meses a três anos, recomendam-se 15 mg/dia de ferro; entre 4 e 10 anos, 10 mg/dia; para homens adolescentes entre 11 e 18 anos, 18 mg/dia; para mulheres dos 18 anos até a menopausa, 18 mg/dia.

Gestantes, segundo as RDA, devem ingerir um adicional de 18 mg/dia de ferro (cerca de 36 mg/dia). Embora alguns autores afirmem que não é possível atender a recomendações tão altas sem o uso de medicamentos suplementares, temos observado inúmeras vezes que uma dieta adequadamente balanceada é perfeitamente capaz de suprir esta necessidade e garantir um desenvolvimento saudável da gravidez. Em determinadas situações de carência ou mal aproveitamento de ferro, contudo, a suplementação medicamentosa pode mostrar-se necessária.

- Lactentes devem ingerir 18 mg/dia de ferro.

 

Fontes alimentares

Embora o ferro presente em alimentos animais, como fígado, vísceras, carne e peixes, apresente maior taxa de absorção (ferro-heme), é perfeitamente possível suprir as necessidades deste nutriente com uma dieta lacto-¬ovo-vegetariano-naturista, que oferece os seguintes alimentos-fontes: gema de ovo, cereais integrais, leguminosas, como feijão, lentilha etc., especialmente feijão azuki, sementes em geral, como gergelim e deriva¬dos, semente de jaca, semente de abóbora, semente de pimentão etc., castanhas e nozes, farinha de soja, melado de cana, rapadura, certos condimentos, como orégano e cominho, frutas secas, vegetais verde¬-escuros e outros alimentos e preparações. Combinando-se estes alimen¬tos com outros ricos em vitamina C, o aproveitamento de ferro é aumentado.

 

Riscos do excesso de ferro

O excesso de ferro favorece processos oxidativos. Através da reação de Fenton, gera radicais livres, favorecendo o desenvolvimento de câncer, desordens cardiovasculares, distúrbios hepáticos e estresse oxidativo. Por isso, é preciso monitorar e limitar o tratamento feito à base de suplementos férricos contra a anemia.

 

 

 

Teor de ferro em alguns alimentos (mg em 100 g):
Agrião
2,60
Alfafa
3,89
Almeirão
3,84
Amêndoa
4,40
Aveia
3,80
Avelã
4,10
Azedinha
5,20
Buriti (polpa)
5,00
Caruru
3,80
Castanha-do-pará
5,00
Centeio
3,90
Coco
3,60
Cominho
3,10
Couve
2,20
Ervilha (seca)
6,00
Espinafre
3,08
Farinha de soja
19,38
Feijão-branco
11,90
Feijão-preto
7,00
Grão-de-bico
4,32
Inhame (raiz, sem casca)
4,00
Lentilha
8,60
Melado
22,32
Mostarda (crespa)
5,60
Ovo (gema)
5,87
Salsa
8,60
Serralha
4,40
Soja
6,70
Trigo
5,00
Uvaia
3,50

Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.